Entre carros voadores e veículos de três rodas, o período entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais teve algumas ideias interessantes para o futuro dos automóveis. Mas esta aqui talvez seja a mais esquisita delas. Quem precisa de rodas quando se tem esferas rolantes gigantes?

A edição de setembro de 1935 da Popular Science incluiu a ilustração acima, mostrando o “aerodinâmico” carro do amanhã.

Esse carro a motor que roda sobre esferas preenchidas de ar, em vez de rodas e pneus convencionais, é uma invenção de um designer alemão. Todas as partes do novo veículo, ele afirma, se juntam em um formato altamente aerodinâmico, minimizando a resistência ao ar. Os pneus em formato de globo não exigem guarda-lamas e dispensam a necessidade de molas para absorver os choques com a estrada, também reduzindo a derrapagem e servindo como para-choques no caso de uma colisão. Múltiplas câmaras de ar evitam um esvaziamento repentino caso ocorra uma perfuração. No design proposto, o carro roda sobre um par de esferas pneumáticas na frente e na traseira, e o motorista o equilibra como uma motocicleta, manipulando um volante. Pequenas esferas auxiliares podem ser estendidas para manter o carro de pé enquanto ele está parado ou iniciando a partida.

O curto artigo não inclui o nome desse “designer alemão”, o que era uma prática surpreendentemente comum nas revistas de tecnologia dos anos 1920 e 1930, especialmente em publicações como a Science and Invention.

Mas não dá para culpar o pessoal da década de 1930 por ter designs impraticáveis. Tudo precisava ser aerodinâmico. E eu quero dizer tudo mesmo. De torradeiras a bicicletas, passando até por casas. Mesmo que não fosse se mover, a criação era aerodinâmica, porque o futuro era rápido. Ou pelo menos essa era a ideia.

Sinceramente, o carro proposto na Popular Science parece um pesadelo de se dirigir. Como é que essas esferas enormes aderem à estrada? Eu não tenho um palpite melhor que o seu. Suspeito que, se essa coisa um dia foi testada, e não encontrei nenhuma evidência de que tenha sido, deve ter havido um monte de acidentes.

Mas imagino que mesmo os acidentes deveriam ser aerodinâmicos na visão de futuro da década de 1930. Se é para bater, que pelo menos seja rápido. É isso que o futuro exige.

Imagem do topo: Popular Science/Novak Archive