E você achando que acertar a saída térmica era grande coisa… Tente acertar um satélite de 450 kg por 7,8 bilhões de quilômetros ao longo do sistema solar dentro da órbita de um planeta que tem menos da metade do tamanho da Terra e está a apenas 45,8 milhões de quilômetros do Sol.

A sonda foi lançada em agosto de 2004, mas levou seis anos e meio, seis voos rasantes planetários, 17 correções de trajetória e 15 circuitos solares para a MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging), da NASA, chegar ao canto mais profundo do sistema solar e entrar para os livros de história como o primeiro satélite feito pelo homem a orbitar Mercúrio. Até a sua bem sucedida chega em março do ano passado, os humanos só tinham passado perto do diminuto corpo celestial — primeiro em 1975 com a Mariner 10, depois novamente em 2008 e 2009 (com a própria MESSENGER).

Por fixar residência tão próximo a Mercúrio, a nave composta de grafite e éster de cianato de 1,8 x 1,4 x 1,27 metros foi construída para resistir ao calor intenso do planeta. Um par de painéis solares GaAs/Ge ajustáveis de 450 Watt recarrega a 23 ampere-hora uma bateria de hidrogênio níquel que, por sua vez, dá energia a um conjunto de rastreadores de estrelas e sensores solares para ajudar a monitorar a sua altitude. O sistema todo é protegido sob um guarda-sol de pano de cerâmica de 2,4 x 1,8 metros e é mantido no ar por uma série de propulsores simples e duplos.

Até agora, ela tem desempenhado sua primeira missão de um ano com tranquilidade, tirando mais de 100 mil fotos do planeta enquanto estuda minuciosamente a composição química, geologia e campo magnético de Mercúrio. Ela também está em busca de pistas do suposto núcleo exterior fundido de Mercúrio e de identificar os estranhos materiais refletores de radares encontrados nos pólos do planeta. A MESSENGER acabou de entrar na parte estendida da sua missão, que deve durar até março de 2013. [WikipediaPhysorgA New DomainNASASpaceflight Now – Imagem: MESSENGER Project]