Nos últimos dias, a sonda Curiosity da NASA tem feito uma escalada constante até um estranho cume marciano que vem chamando a atenção dos cientistas desde antes da missão ter começado. Conhecido como cume Vera, assim batizado por causa da pioneira astrofísica Vera Rubin, ele poderia nos dar alguma luz sobre o ambiente e a possível habitabilidade do planeta vermelho. Embora a escalada tem sido difícil, o Curiosity conseguiu tirar algumas espetaculares fotos ao longo do caminho.

As explorações do Curiosity já nos mostraram que essa região de Marte foi uma vez coberta por um antigo lago, o que é visto como um sinal potencial de habitabilidade, além de um exemplo de como a Terra poderia se parecer em seus primórdios. O cume Vera é coberto de óxido de ferro, além de argila e sulfatos minerais, e foi apontado como o grande alvo pela NASA antes mesmo da NASA ter pousado a Curiosity em Marte em 2012.

O cume Vera como visto pela Curiosity em 22 de Junho de 2017. A sonda está agora fazendo uma subida para chegar ainda mais perto. (NASA / JPL-Caltech / MSSS)

O cume está localizado no flanco do noroeste do monte Sharp, numa região que é melhor em resistir à erosão do que as áreas menos elevadas. A NASA está tentando entender o motivo, por que o cume é rico em óxido de ferro e hematita (que pode ser relacionado à falta de erosão observada), e o que o cume Vera pode revelar sobre as condições ambientais de Marte antigamente.

Mas para observar essas tentadoras características, Curiosity ainda precisa escalar um tanto. Os planejadores da missão estão cuidadosamente escolhendo uma rota que, além de assegurar uma boa subida, leve às camadas do cume que foram estudadas anteriormente de um ponto de vista privilegiado vistas de baixo.

Uma vista do cume, duas semanas antes de Curiosity começar sua subida no início deste mês. (NASA / JPL-Caltech / MSSS)

“Conforme contornamos a base do cume esse verão, tivemos a oportunidade de observar a grande exposição vertical de camadas de rochas que compõem a parte inferior do cume”, disse Abigail Fraeman, a cientista da NASA que organizou a campanha em um comunicado. “Mas, apesar de penhascos íngremes serem ótimos para expor as estratificações, eles não são tão bons de subir”.

Para chegar lá, a Curiosity terá que subir 65 metros, a altura de um prédio de 20 andares. A sonda está agora subindo uma rampa íngreme, para isso está fazendo uma série de subidas controladas através de uma distância total de 570 metros. Lembrando que a sonda tem aproximadamente o tamanho de um carro, e que sua trajetória está sendo controlada por planejadores da missão há 400 milhões de distância.

Esta vista de Rubin Ridge tirada pelo instrumento ChemCam da sonda Curiosity da NASA mostra várias camadas sedimentares e fraturas de minerais. (Imagem: NASA / JPL-Caltech / CNES / CNRS / LANL / IRAP / IAS / LPG)

Mas essa não é a primeira subida da sonda, que vem escalando desde seu ponto de aterrissagem na base do monte Sharp cinco anos atrás. Antes do começo de sua última subida no começo deste mês, a sonda já tinha subido cerca de 300 metros de altitude, percorrendo um total de 17,32 quilômetros a partir do seu local de aterrissagem até a base do cume.

As novas fotos tiradas pelo robô mostram camadas mais finas, com extensas veias brilhantes de diferentes larguras se entrelaçando pelas camadas. A NASA está animada com a perspectiva de finalmente ser capaz de investigar esses detalhes de perto.

Uma vista de Rubin Ridge que mostra camadas sedimentares, veias minerais, e os efeitos da erosão do vento. (Imagem: NASA / JPL-Caltech / CNES / CNRS / LANL / IRAP / IAS / LPG)

“Usando dados de sondas orbitais e nossa própria imagem de aproximação, a equipe escolheu lugares para fazer pausas para estudos mais extensos durante a subida, por exemplo onde as camadas de rocha mostram mudanças na aparência ou composição “, disse o cientista do projeto Curiosity, Ashwin Vasavada. “Mas o plano de campanha irá evoluir conforme examinarmos as rochas em detalhe. Como sempre, é uma mistura de planejamento e descoberta.”

[NASA]