Ficar acordado até mais tarde pode ser mais divertido durante algumas festas, mas fazer isso com frequência pode trazer sérias consequências, sugere um novo estudo publicado nesta semana no Chronobiology International. Basicamente, isso pode aumentar suas chances de morrer cedo.

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Pesquisadores observaram dados de uma larga e ativa população de moradores do Reino Unido, conhecida como UK Biobank Study. Cerca de meio milhão de participantes fizeram parte do estudo entre 2006 e 2010 e tiveram suas informações de saúde monitoradas desde então. No levantamento recente, os pesquisadores prestaram atenção em 400 mil voluntários com idades entre 38 e 73, que tiveram de responder uma questão sobre se eles eram pessoas do dia ou da noite. Depois, tentaram seguir a evolução delas por em média 6,5 anos.

Cerca de 10 mil dessas pessoas morreram durante o período do estudo. E comparado com as pessoas que se declararam matutinas, as da noite eram cerca de 10% mais propensas a morrer. Mais do que isso, essas pessoas noturnas também geralmente são menos saudáveis.

“Um aumento em atividades no período noturno foi associado com o aumento da prevalência de uma ampla variedade de doenças ou distúrbios, incluindo diabetes, distúrbios psicológicos, respiratórios e distúrbios gastrointestinais ou estomacais”, informa o estudo.

O estudo é só o mais recente a mostrar os riscos de saúde de não ser uma pessoa do dia. No entanto, segundo os autores, é o primeiro estudo de população do tipo que sugere que pessoas noturnas são mais propensas a morrerem. Além disso, é o primeiro a sugerir que problemas gastrointestinais e neurológicos são mais comuns nas “corujas da noite”.

Embora o estudo não responda por que isso acontece, outras pesquisas já concluíram que pessoas noturnas são mais propensas a se alimentarem mal, agirem de forma impulsiva, usarem drogas com o álcool e têm algo chamado de “social jetlag” —ou seja, no fim de semana, quando não trabalham, essas pessoas costumam acordar meio-dia. Quase todo mundo já fez isso, porém a pesquisa diz que esse hábito está ligado com obesidade e um metabolismo mais lento.

Ser uma “coruja noturna” está tipicamente ligado em dormir menos. No entanto, os pesquisadores não acharam nenhum diferença substancial na duração do sono dos diferentes grupos do estudo, nem a influência da duração do ano nos resultados de modo geral.

Parte do estresse que ocorre em ser uma pessoa noturna vem do relógio interno do corpo, ou ritmo circadiano, não se alinhar com o do resto do mundo, informa o autor do estudo. Em experimentos que foram criados de propósito um “desalinhamento no ritmo circadiano”, o metabolismo dos voluntários, o humor e mesmo a expressão genética mudou para pior posteriormente. A tendência parece funcionar nos dois sentidos, podendo provocar reações positivas. Diversos estudos anteriores já concluíram que a maioria das pessoas que trabalha durante a noite tende a morrer mais cedo e ficar mais insalubre.

Algo entre 20% e 50% de nosso ritmo circadiano é determinado por nosso genes, nota o autor. No entanto, há formas de mudar nosso relógio interno, como o uso de luzes pela manhã para acordar e melatonina durante a noite para ajudar a dormir. Essas técnicas poderiam ser usadas em larga escala para pessoas com problemas crônicos para dormir à noite. Em locais de trabalho, as atividades poderiam ser alteradas — pelo menos num mundo real onde empregadores ligam para a saúde dos funcionários — ao mudar os turnos das “corujas da noite”.

“Elas [as pessoas com hábitos noturnos] não deveriam ser forçadas a começar a trabalhar às 8h. Seria interessante fazer as pessoas trabalharem de modo a combinar com seus cronotipos — alguma pessoas podem se adequar melhor ao turno da noite”, informou a autora principal do estudo Kristen Knutson, uma pesquisadora da Northwestern University, para a New Scientist.

Talvez o passo mais fácil sugerido por Knutson e sua equipe é que todo mundo, especialmente as “corujas noturnas, é fazer todo mundo se livrar completamente do horário de verão.

[Chronobiology International via New Scientist]

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