Medir o nível de açúcar no sangue é rotina para mais de 16 milhões de brasileiros que sofrem de diabetes. Apesar de estarem acostumados, é um processo doloroso. As pessoas com a doença precisam furar o dedo para retirar um pouco de sangue ou utilizar um monitor com um pequeno tubo inserido na pele que mede continuamente a glicose. E enfiar uma agulha em si mesmo não é algo exatamente agradável.

Um novo biossensor descrito em um artigo publicado nesta quarta-feira (20) na revista Science Advances sugere uma solução. Um adesivo extremamente fino e similar à pele utiliza sinais elétricos para conduzir a glicose para fora dos vasos sanguíneos, próximos à superfície de medição. Ele é alimentado por uma bateria de papel e se parece como uma tatuagem temporária.

Em um pequeno teste com dois pacientes saudáveis e um terceiro com diabetes, o dispositivo foi capaz de medir o nível de glicose tão bem quanto testes clínicos padrões, durante o período de cinco dias de estudo. Nenhum dos pacientes relataram quaisquer irritações ou desconfortos.

Um monitor de glicose não-invasivo ou minimamente invasivo seria um feito e tanto para a ciência. Ele não seria apenas um grande avanço no cotidiano das pessoas com diabetes, mas poderia resolver alguns problemas como a falta de monitoramento de pacientes que se incomodam com a dor e possuem muitas irritações na pele. Isso sem falar na diminuição dos riscos de infecção.

Existem muitos dispositivos que tentam realizar o teste de forma similar, sem a necessidade de agulhas. Muitos deles são voltados para o mercado de bem estar, em vez de pessoas com diabetes. Além disso, nenhum é regulamentado por agências de saúde. Um método bem popular utiliza o suor para medir os níveis de glicose no sangue. No começo deste ano, surgiram rumores de que a Apple estava atrás de um monitor do tipo, que não exigisse agulhas. E você deve lembrar que o Google também tentou desenvolver uma lente de contato para detectar a glicose na lágrima.

Mas até agora todas essas tentativas esbarraram em problemas. Para começar, não há muita glicose flutuando pelo sangue, então usar algo como o suor não é a melhor das ideias. O açúcar no sangue realmente se faz presente nas lágrimas, saliva, suor ou urina, caso os níveis fiquem muito altos, mas, à medida que os níveis caem, ele se torna virtualmente indetectável sobre a pele. Até mesmo os testes tradicionais de furar o dedo entregam resultados sem precisão de vez em quando. E se alguém tem diabetes, um resultado impreciso pode ser muito perigoso, levando pessoas a tomar insulina quando não precisam ou vice-versa.

Outros métodos tentaram medir as mudanças no corpo que são resultantes da alteração do nível de glicose, como a maneira que a luz reflete na pele, por exemplo. Mas existem problemas, também. Muitas outras moléculas causam as mesmas reações que a alteração da glicose, tornando a precisão difícil.

Neste momento, não existem monitores de glicose não-invasivos que estejam aprovados pela FDA, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Yihao Chen, um dos autores do novo estudo da Tsinghua University na China, disse ao Gizmodo que seu dispositivo pode ser diferente. Se calibrado corretamente, afirma, o sistema pode ser adequado para o monitoramento de glicose contínua a nível médico.

Ainda assim, o estudo é pequeno e a pesquisa está em estágios iniciais. Muito precisa ser feito para determinar o quão preciso e fácil de usar é o adesivo.

Imagem do topo: O biossensor na pele. Crédito: Xue Feng & Yihao Chen, Tsinghua