Misturar carência afetiva com Internet é perigoso. O Facebook nos deixa infelizes, sites de namoro não funcionam lá muito bem… Empreendedores visionários já exploram esse filão. Nos Estados Unidos existem serviços onde os clientes “alugam” namoradas virtuais por uma mixaria. Sem contato físico, com as falhas inerentes a todo ser humano, mas ainda assim o suficiente para elevar a sua moral junto aos 900 amigos do Facebook.

Há várias razões pelas quais você talvez queira contratar uma namorada de aluguel para que ela finja que te ama no mural do Facebook. No fim das contas, tem muita mulher no ramo e isso derruba os preços pela velha leia da oferta e da demanda — o padrão praticado no mercado é US$ 5. Na dianteira desse tipo de site está o GirlfriendHire, testado pelo nosso colega do hemisfério norte Sam Biddle.

É importante assumir logo o quão medonho é passear por listas de gatinhas virtuais a US$ 5 como se fossem… sei lá, filmes pra alugar ou smartphones que você escolhe num catálogo. Ou isso, ou apelar para a inocência e achar que esse tipo de coisa é normal — o que, espero sinceramente, não seja o caso de muitos leitores. As ofertas são bem genéricas, as promessas das chamadas são de mensagens carinhosas no mural, flertes, comentários etc. Algumas oferecem serviços mais completos ou diferenciados, como inventar histórias sobre uma noite de sexo alucinante ou coisas sem muita relação com o “core business”, como fazer seu dever de casa ou ensiná-lo a usar um iPhone.

Seleção de namoradas virtuais.

Sam contratou três garotas para testar o serviço. Uma delas era do segundo grupo e deixou uma história sensacional no mural dele:

“Wow, a noite passada foi incrível. Nunca imaginei que fosse capaz de ter tantos orgasmos múltiplos. Eu não consigo parar de pensar em você e adoraria se nos víssemos novamente o quanto antes.”

Esse tipo de coisa deve ter algum efeito placebo na auto-estima do cara, pode apostar.

As outras duas prometeram relacionamentos e foram bem convincentes. Uma delas, Michelle Reid, surpreendeu Sam: “ela foi uma namorada virtual melhor do que muitas namoradas reais são de fato.” Entrou no bate-papo, perguntou detalhes da vida do cliente e, claro, encheu o mural dele de mensagens — afinal é para isso que ela foi paga, certo?

Mas nem tudo são flores. No fim das contas, Michelle pulou fora do GirlfriendHire devido ao alto índice de maluco que aparece por lá (OH RLY!?) e mandou mensagens e ainda cobrou respostas do pobre Sam! É quase uma versão digital de “Uma Linda Mulher”. A outra contratada errou feio ao chamar de “lindo” um amigo dele que aparecia numa foto. Essa não fez o dever de casa.

Michelle e Sam rompendo.

Há muita, mas muita coisa bizarra aí e, justamente por isso, a recomendação caso você realmente esteja afim de embarcar nessa é: pense bem. Se pensou e já se decidiu, só lamento pelo menos não tente ludibriar seus amigos mais próximos. Fatalmente eles descobrirão e, cá entre nós, entre os trocentos amigos seus no Facebook com quem você nem troca um “oi” o impacto da “nova namorada” será maior do entre quem você vê todo dia. E prepare-se para perguntas indiscretas e saídas estratégicas para explicar aquela linda garota que surgiu do nada te endeusando no Facebook. Se você chegou ao ponto de ter que contratá-la, é sinal de que lindas garotas comentando em seu perfil são raridade.

Outro problema está na seleção das namoradas de mentirinha. O GirlfriendHire está recheado de spam e propostas pra lá de indecentes. Até o dono do site, Cody Krecicki, admite o problema e dá a dica: vá sempre nas moças com mais recomendações. É a lógica do MercadoLivre se mostrando útil até na comercialização da sua futura namorada, caro loser.

Se serve de consolo, pelo menos US$ 5 é mais barato que uma mensalidade do Match.com ou do Badoo. Nesses tempos onde tudo é digital, até as amizades, quem se importa em subir um nível e restringir ao Facebook o amor, não? Só não vá se apaixonar, afinal, negócios são negócios. [Gizmodo US]