A Amazon e o Google estão em um relacionamento complicado. Eles se separam, voltam e depois se separam de novo. Isso precisa parar, porque só está atrapalhando a vida das outras pessoas.

Em setembro, o Google impediu o assistente Echo Show, da Amazon, de mostrar vídeos do YouTube por causa de uma misteriosa violação aos termos de serviço. Usuários que tentavam abrir o aplicativo na assistente ouviam a Alexa explicar: “Atualmente, o Google não oferece suporte para o YouTube no Echo Show”.

O Google é conhecido por utilizar seus termos de serviço para dificultar a vida dos concorrentes. Mas, neste caso, a companhia parecia ter uma queixa legítima sobre a forma como o Echo Show mostrava o YouTube. Em novembro, a Amazon apresentou a interface redesenhada para o serviço de streaming de vídeos, e o Google disse que estava tudo bem. Então, o YouTube voltou a funcionar, e os usuários respiraram aliviados.

Isso há 14 dias. Nesta terça-feira (5), o Google retirou o acesso do YouTube no Amazon Echo Show novamente. Em um comunicado enviado ao Gizmodo, o Google disse:

Estamos tentando alcançar um acordo com a Amazon para dar aos consumidores acesso aos produtos e serviços de ambas as partes. Porém, a Amazon não envia produtos como o Chromecast e Google Home, não torna o Prime Video disponível para os usuários do Google Cast e, no mês passado, deixou de vender alguns dos últimos produtos da Nest. Dada essa falta de reciprocidade, não estamos oferecendo o suporte para o YouTube no Echo Show e no Fire TV. Esperamos chegar a um acordo para resolver esses problemas em breve.

Entramos em contato com a Amazon, e eles retornarem dizendo que o “Echo Show e o Fire TV agora exibem uma versão web padrão do YouTube.com e levam os consumidores diretamente para o site do serviço. O Google está abrindo um precedente decepcionante ao bloquear seletivamente o acesso de usuários a um site aberto. Esperamos resolver isso com o Google o mais rápido possível”. Ou seja, a Amazon está dizendo que, depois que o Google começou a bloquear o YouTube no Echo Show, eles passaram a mostrar a versão web que acessamos normalmente pelo navegador.

O Engadget noticia que o centro da disputa está na insistência da Amazon em rodar uma versão “modificada” do YouTube, em vez do próprio app do Google. Isso poderia afetar as receitas do Google vindas de publicidade e limitar o controle da companhia sobre como as pessoas assistem ao YouTube nos dispositivos.

Os problemas entre Google e Amazon vão além dessa controvérsia. A Amazon não habilitou o suporte ao Google Cast em seu serviço Prime Video, tornando-o um item de venda exclusivo para o Fire TV. E, agora, o Fire TV vai perder o suporte ao YouTube no dia 1º de janeiro, de acordo com o Engadget.

Em termos de estratégias de negócios, esse vai e vem entre as empresas faz um pouco de sentido. Ambas travam uma batalha para ter a vantagem no mercado de vídeo e assistentes de voz. Em maio, a Amazon controlava 70% do mercado de dispositivos de som habilitados por voz, de acordo com uma pesquisa da Emarketer. E, em 2016, o YouTube controlava cerca de 79% do mercado de streaming de vídeo online, de acordo com a Statista. Quando o Google começa a crescer no jogo das assistentes de voz e a Amazon começa a investir em vídeo com o Prime, os consumidores começam a sofrer com péssimas experiências.

O suporte ao YouTube já foi colocado como um grande fator de compra para o Echo Show, da Amazon, e agora as pessoas que compraram o dispositivo no começo do ano estão se ferrando (embora a Amazon não diga quantas pessoas compraram um desses). E, da mesma forma, seria legal conseguir transmitir o Amazon Prime em uma TV conectada com o Chromecast. Então, qual empresa é a culpada de tudo isso? As duas. A internet e tecnologia funcionam melhor quando todos trabalham juntos.

[Engadget]

Imagem do topo: Gizmodo