Steve Ballmer está fora: Satya Nadella assumiu seu cargo. Acabou a busca pelo terceiro CEO da Microsoft. Milhares de pessoas têm um novo chefe, mas o que isso significa para você?

Você pode ler aqui o anúncio oficial da Microsoft, mas você não encontrará muito além do release à imprensa, recheado apenas de coisas positivas. O que faz sentido: se a diretoria não gostasse muito de Nadella, não teria dado a ele as chaves do castelo. Além disso, os detalhes mais interessantes estão nas entrelinhas.

A mudança mais imediata – e mais notável – será na personalidade: Ballmer era antes de tudo um vendedor, um homem tempestuoso e motivado que queria vender seus produtos. Nadella, no entanto, é basicamente o oposto: um engenheiro calmo que ganhou experiência na divisão empresarial da Microsoft. Ele não deve gerar momentos semelhantes ao clássico DEVELOPERS DEVELOPERS DEVELOPERS de Ballmer.

Ele também é conhecido como um colaborador, uma presença agradável e estável em um ambiente estressante. Isso deve ajudar a Microsoft a reter talentos através desta transição, e mais importante: isto deve ajudar a incorporar a Nokia da forma mais fluida possível.

Quanto aos produtos da Microsoft que você usa todos os dias, não espere ver muita mudança. Dentro da empresa, Nadella construiu uma reputação próxima à de um negociador, apto a ajudar divisões diferentes – e muitas vezes concorrentes – fazendo-as se dar tão bem quanto possível.

Isso indica duas coisas: é improvável que Nadella comece a demitir pessoas tão cedo; e ele quase certamente continuará empurrando a estratégia de unificação – “Uma Microsoft” – de forma ainda mais agressiva. Ele também tem o conjunto de habilidades para fazer isso acontecer.

Afinal, a Microsoft precisa se adaptar para o futuro. No início, Bill Gates tinha um objetivo que parecia absurdo: “Um computador em cada mesa, em cada lar, rodando software da Microsoft”. E eles conseguiram! Mas a empresa perdeu a próxima revolução: um computador em cada bolso, com tablets e smartphones – é um dos maiores erros de Ballmer, que ele mesmo admitiu.

Então qual é o próximo passo da Microsoft? John Gruber, do Daring Fireball, explica:

A computação em nuvem é um caminho potencial para o futuro. A nuvem ainda está começando, assim como a indústria de PC dos anos 1980. Em 30 anos, vamos relembrar nossa infraestrutura de rede de hoje e rir, imaginando como conseguíamos viver assim. O mundo precisa de plataformas de computação na nuvem que sejam confiáveis, seguras, de alta qualidade, amigáveis para o desenvolvedor, e que protejam sua privacidade… A próxima onipresença não será rodar em todo dispositivo: será falar com todo dispositivo.

O foco principal de Nadella, o poder da nuvem, é a tecnologia subjacente que ajuda a unir dispositivos diferentes. É uma das maiores promessas do Xbox One (ainda não cumpridas, aliás). O poder computacional de servidores poderia ajudar Windows Phones a funcionarem mais rápido em uso intenso. Ele poderia transformar um Surface em um supercomputador. A Microsoft quer se tornar uma empresa de “dispositivos e serviços”, e o poder da nuvem praticamente é o serviço.

Nos seus 22 anos na Microsoft, Nadella passou praticamente todos trabalhando com servidores, no ramo da Microsoft que se tornou Azure após a reorganização. A nuvem é o bebê de Nadella. E por isso ele é o novo CEO.

Sim, muito do seu foco continuará provavelmente a ser do lado empresarial, onde os sucessos e fracassos da Microsoft ficam em grande parte escondidos dos consumidores e fanboys. Mas a contratação de Nadella indica que a Microsoft está confortável com a direção que escolheu, que quer continuar a investir nesta estratégia de nuvem – que ainda está para vingar. De certa forma, é um risco mais ousado do que contratar alguém de fora para mudar as coisas da empresa.

O que esperar da Microsoft ao longo dos próximos anos? Uma Microsoft cada vez mais consistente e unificada; dispositivos que se comunicam perfeitamente; casas conectadas a telefones, PCs, Xboxes e a tudo aquilo que o futuro nos reserva. Uma intrincada rede de produtos da Microsoft, todos baseados na nuvem.