No tribunal que julga o caso Samsung vs. Apple, o júri está desinteressado e os juízes estão irritados. Enquanto a juíza Lucy Koh perguntou aos advogados da Apple se eles estavam “fumando crack”, o juiz Paul Grewal perguntou às duas empresas: por que vocês se acham tão especiais?

Ontem foi o último dia para a defesa da Samsung. Até então, a empresa argumentou que as patentes da Apple – tanto de design como de software – não seriam originais. Além disso, o projeto do Galaxy Tab 10.1 teria começado antes do iPad.

Para terminar, a Samsung chamou um especialista para estimar os ganhos da empresa nos EUA: ela teria lucrado apenas US$519 milhões com smartphones e tablets. As estimativas da Apple eram bem maiores, e motivaram a empresa a pedir bilhões em indenização.

A Samsung, por sua vez, pede US$421,8 milhões em indenização porque a Apple teria violado suas patentes.

Uma delas cobre reprodução de música em segundo plano (em dispositivos móveis); outra protege funções de e-mail e navegação de fotos; e uma terceira envolve uma forma de navegar da câmera para a galeria de fotos. Há mais duas patentes no caso, que envolvem 3G (UMTS).

“Fumando crack”

Então começou a réplica da Apple. Na reta final do julgamento, eles pediram para a juíza Lucy Koh analisar um documento de 75 páginas, pedindo que até 22 testemunhas fossem ao tribunal. A juíza ficou irritadíssima: “a menos que vocês estejam fumando crack, vocês sabem que essas testemunhas não serão chamadas!”

Um dos advogados da Apple disse: “não estou fumando crack, eu lhe prometo”. A equipe prometeu reduzir o documento.

E começou a réplica. A Apple argumentou que não violou patentes de interface da Samsung, e mais: elas não seriam originais. O foco esteve na patente para navegar da câmera para a galeria de fotos: a Apple mostrou uma patente anterior, da LG, que descreve a mesma funcionalidade. Seria o mesmo caso da patente de música: o Sony K700, lançado antes da patente da Samsung ser requerida, toca música em segundo plano.

“Especiais?”

A Samsung também pediu algo na última hora: mais tempo para oferecer uma “instrução ao júri de inferência negativa”. O juiz Paul Grewal, que auxilia a juíza Koh, não gostou disso. Ele negou o pedido da Samsung, e tem algo a dizer:

…em algum ponto essa acomodação tem que acabar, senão as centenas de outras pessoas e organizações envolvidas em casos de direitos civis, Previdência Social, e outros casos também atribuídos a estes mesmos juízes poderiam perguntar, e com razão: o que torna as empresas deste processo judicial de patentes tão especiais?

Basicamente, o caso Apple vs. Samsung está tirando tempo que poderia ser usado para julgar outros processos. Os juízes estão irritados, o júri está apático, e os advogados estão cansados. Felizmente, o julgamento está chegando ao fim. [The Verge]