Em 2010, a Agência Espacial Europeia lançou o Cryosat, um satélite criado para monitorar as mudanças na forma e espessura do gelo polar da Terra. Levou algum tempo para os cientistas por trás do projeto processarem todos os dados, mas eles conseguiram e as novas imagens oferecem uma visão sem precedentes do estado das nossas calotas polares.

Já havia medições prévias feitas por satélites do quão rápido o gelo está desaparecendo, mas o Cryosat foi o primeiro capaz de medir o volume de gelo com esse nível de detalhes — algo crucial para prever mudanças futuras.

Como funciona o Cryosat.Na realidade, a forma como a medição da espessura do gelo é feita é bastante inteligente. O Cryosat carrega um dos radares de abertura sintética de maior resolução já posto em órbita. Com isso, ele envia para baixo pulsos de micro-ondas e então detecta o reflexo dos pulsos de ambas as superfícies superior e inferior das camadas de gelo, pegando informações sobre rachaduras no gelo também.

Com um pouco de matemática básica, isso significa que o time pode chegar à espessura do gelo. O Prof. Volker Liebig, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, explica à BBC:

“A boa nova é que o Cryosat está funcionando extremamente bem. Seus dados são muito confiáveis e as medições que temos realmente batem com a realidade. Agora temos uma poderosa ferramenta para monitorar as mudanças que ocorrem nos pólos.”

Os dados recém-divulgados mostram um ciclo sazonal completo para o gelo do Ártico — de outubro de 2010 a março de 2011 — e demarca o volume total do gelo marinho no Ártico central em 14500 km³ em março de 2011. Ainda há anos de dados a virem do Cryosat; vamos torcer para que seus resultados desafie as previsões. [ESA e BBC]