Cameron desceu no poço mais profundo do inferno e voltou inteiro. Foi uma viagem fantástica. Ele chegou ao fundo do abismo e o explorou por três horas. “E um mundo alienígena”, disse. Estas são as primeiras imagens.

O vídeo, feito com câmeras 3D de alta definição e lâmpadas LED de 2,5 metros, mostra um lugar que parece muito com a superfície da Lua. Mas esse mundo alienígena na Terra não é tão morto quanto o do nosso satélite. Há vida mesmo lá embaixo, de acordo com o diretor e explorador.

A viagem teve que ser encurtada devido a um vazamento no Deepsear Challenger, submarino que também parece ser de outro mundo. A embarcação de 12 toneladas tem um belo desenho que, de acordo com Cameron e o time responsável pela expedição, é muito mais manobrável que outros submersíveis para águas profundas mais antigos, como o Trieste ou o Alvin.

Sem buscas a polvos gigantes

Diferente do Alvin, o Deepsea Challenger não foi atacado por um peixe-espada gigante. Cameron não deu de cara com nada que lembre os encontros do seu filme “O Segredo do Abismo”, de 1989. Ele nem mesmo encontrou as criaturas brancas ou bioluminescentes que viu em sua descida.

Cameron disse não ter visto traços de outros seres, terrestres ou alienígenas. Ele só encontrou anfípodes de pouco mais de 3 cm. Ele não ficou decepcionado, porém. Eles não estavam em busca de polvos gigantes, estavam apenas explorando. Ele acredita que, depois dessa viagem, eles encontrarão várias surpresas nas muitas, muitas viagens que farão com o Deepsea Challenger.

Talvez a coisa mais incrível tenha sido a sensação de solidão e encantamento quando ele estava lá embaixo. Afinal, ele foi o primeiro homem na história a chegar a tal profundidade, enclausurado em uma pequena esfera de aço que encolheu para um tamanho ainda menor quando lá embaixo. Na verdade, o submarino inteiro encolhe 7,6cm por dentro quando está submerso naquela profundidade, diz Cameron.

Cameron se referiu à sensação de Neil Armstrong após voltar comparável à sua. Diferente de Armstrong — que diz não ter tido tempo de se tocar sobre o fato de que estava na Lua —, Cameron diz ter tido tempo o bastante para parar e pensar quando ele tocou o solo e começou a explorar.

Ele sentiu a maravilha de olhar ao redor — e uma sensação avassaladora de solidão.

“Minha sensação foi a de estar completamente isolado do resto da humanidade.”

Eu queria muito ir lá embaixo e sentir isso tanto quanto ir ao espaço.