Os sapos já estão por aqui por volta 200 milhões de anos, mas foi só quando um asteroide de 16 quilômetros de largura atingiu o nosso planeta, eliminando três quartos de toda a vida na Terra, incluindo os dinossauros, que esses anfíbios astutos puderam dar seu grande salto evolutivo, de acordo com uma nova pesquisa.

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Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences essa semana mostra que a população de sapos explodiu depois do evento de extinção Cretáceo-Paleogeno, há cerca de 66 milhões de anos. O repentino desaparecimento dos dinossauros, seguido do ressurgimento de ecossistemas abandonados, permitiu aos sapos florescerem e se diversificarem, levando às milhares de espécies que ainda habitam nosso planeta.

Eventos de extinção em massa são como imensos botões de reset. Quando um grande asteroide atingiu a Península de Iucatã cerca de 66 milhões de anos atrás, desencadeou uma cadeia de eventos geológicos e atmosféricos que acabaram com 75% da vida na Terra, incluindo quase todos os animais maiores do que 25 quilos (exceto algumas tartarugas e crocodilos). Com os lagartos gigantes repentinamente desaparecendo, e enquanto o ambiente lentamente se recuperava, os sobreviventes lutavam por seu lugar nos ecossistemas que ressurgiam. Uma nova pesquisa do Florida Museum of Natural History e Sun Yat-Sen University em Guangzhou, China, mostra que os sapos estavam entre os maiores beneficiários na transição do cretáceo tardio para o paleogeno pós dinossauros.

Em um esforço para aprender mais sobre a evolução dos sapos, os pesquisadores David Blackburn e Peng Zhang juntaram uma nova árvore filogenética desses anfíbios (as árvores filogenéticas são como árvores genealógicas, mas no nível das espécies e são geradas por dados genéticos). Os pesquisadores analisaram 95 genes do DNA de 156 espécies de sapos para estabelecer suas relações genéticas e desenvolver cronogramas evolutivos.

Contrário ao pensamento convencional, Blackburn e Zhang descobriram que a maioria das famílias modernas de sapos não surgiu durante a Era Mesozoica, que era o grande período em que os dinossauros reinavam por aqui. Os sapos surgiram há centenas de milhões de anos, mas só depois da morte dos dinossauros que as suas populações realmente cresceram. Com seus primos lagartos fora de cena, os sapos se tornaram entre os mais diversos grupos de vertebrados, representando mais de 6.700 espécies conhecidas. Como mostra a nova pesquisa, 88% das espécies de rãs são descendentes de três linhagens principais: hyloidea, microhylidae e natatanura – que surgiram durante a transição do cretáceo para o paleogeno.

Reprimidos durante milhões de anos, esses anfíbios simpáticos de repente foram capazes de ocupar e prosperar dentro de nichos ecológicos vazios. O asteroide que atingiu a Terra e as mudanças ambientais subsequentes, destruíram uma fração significativa da vegetação do nosso planeta, mas conforme as florestas se recuperaram, os sapos estavam entre os muitos grupos de animais (incluindo os mamíferos) que podiam se aproveitar dos novos habitats.

Infelizmente, estamos no meio de outro evento de extinção em massa, desta vez produzido por nós. Os sapos estão ameaçados como nunca estiveram, devido à perda de seus habitats, poluição, doença e outros fatores. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, quase um terço dos anfíbios do mundo agora estão ameaçados ou foram extintos recentemente. Os sapos foram capazes de sobreviver à era dos dinossauros, mas eles estão tendo muitos problemas em lidar com humanos.

[Proceedings of the National Academy of Sciences]

Rã de olhos vermelhos (Wikimedia)