A cascavel de Mojave e o rato-canguru-de-Merriam estão envolvidos atualmente em uma corrida evolucionária, do astuto predador contra a presa ágil. Um vídeo dramático em alta velocidade mostra o quão rápidas e criativas as cobras precisam ser para lançar seu ataque — e como os roedores ainda conseguem escapar da captura.

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Surpreendentemente, muito pouco se sabe sobre os ataques de cascavéis. Mas novos avanços tecnológicos em câmeras de alta velocidade estão possibilitando a captura de vídeos tridimensionais desses ataques vertiginosos na natureza. Uma equipe liderada pelo biólogo Timothy Higham, da Universidade da Califórnia Riverside, usou uma configuração para filmar as cascavéis de Mojave em ação, permitindo-lhes entender os fatores que determinam o sucesso ou fracasso de um ataque ou de uma fuga. Suas descobertas aparecem na última edição do periódico Science Reports.

De acordo com Higham, a equipe reuniu filmagens de ataques de cascavéis com iluminação infravermelha, no estado do Novo México, em 2015. “Os resultados são bastante interessantes ao mostrar que os ataques são muito rápidos e altamente variáveis”, afirmou Higham em comunicado. “As cobras parecem errar a tentativa de forma bastante dramática — seja por erro próprio ou porque os ratos-canguru fogem a tempo.”

Ao assistir ao vídeo em alta velocidade (filmado em 500 quadros por segundo), a equipe de Higham notou que as cobras se saem melhor e atacam mais rapidamente na natureza do que em condições laboratoriais. As velocidades máximas alcançadas durante os ataques foram de 4,2 a 4,8 metros por segundo. Para um animal que fica agachado, imóvel, em espiral, isso é insanamente veloz. É legal de se assistir, mas, para as pressas, não deixa muito tempo para que reajam.

Não contentes em contar apenas com a velocidade como tática, foi observado que as cobras também misturam o estilo de seus ataques. Eles ocorreram a partir de uma grande variedade de distâncias, de 4,6 cm a 20 cm. Quando as cobras falhavam na captura de sua presa, isso acontecia ou pelas manobras evasivas dos ratos-canguru ou por falta de precisão dos predadores. O desempenho dos ratos-canguru foi igualmente impressionante — o seu tempo médio de resposta a um ataque foi de 61,5 milissegundos (para comparar, o tempo de reação médio dos humanos é de 215 milissegundos). Junto de seus reflexos ágeis, os ratos-canguru também ampliavam a força de seu salto durante um ataque, por meio de algo chamado “armazenamento de energia elástica”.

“O armazenamento de energia elástica acontece quando o músculo estica um tendão e então o relaxa, permitindo ao primeiro um ricochete como o de um elástico de borracha sendo liberada de uma posição esticada”, explicou Higham. “É o equivalente a um estilingue — você pode puxá-lo lentamente e soltá-lo muito rapidamente. O rato-canguru provavelmente está usando os tendões de sua canela — similar a nosso tendão de Aquiles — para armazenar energia e soltá-la, possibilitando um salto rápido e a fuga do ataque.”

Os pesquisadores agora esperam observar outras espécies de cascavel e rato-canguru para explorar quaisquer possíveis diferenças dentro dos grupos. Até lá, você pode se maravilhar com (ou temer) a ferocidade destes terríveis ataques.

[Scientific Reports]