A AT&T, operadora que detém exclusividade na venda de planos para iPhones e iPads nos EUA, anunciou hoje uma grande mudança, eliminando o plano de dados ilimitado nos dois modelos e adicionando tethering, mas cobrando bem caro por ele. Mesmo dizendo que 98% dos usuários de iPhone não precisam de mais de 2 GB, muita gente não gostou, inclusive nosso colega Jesús Díaz. Como isso pode mexer com o mercado, tanto lá fora quanto por aqui?

Os novos planos, batizados de DataPlus e DataPro, não são de todo mal: 15 dólares por 200 MB/mês ou 25 dólares por 2GB/mês, com possibilidades de comprar mais banda e até mudar de plano durante o mês. Porém, a liberdade que existia aos usuários de iPhone, um dos poucos bons argumentos que a Apple tinha para a exclusividade da operadora, morreu. Antigos usuários continuarão com o plano, mas quem comprar um iPhone depois de 7 de junho não terá mais a opção.

Vamos ser claros: usuários de iPhone gostam de torrar muito tempo e banda na internet. Vídeos, passeios pela web, streaming, YouTube, os americanos se acostumaram ao poder de fazer qualquer coisa sem pagar mais de 30 dólares por mês. Mas, 2 GB é um número bem alto para um mês, certo? O problema é que a AT&T quer cobrar mais 20 dólares para o usuário poder fazer tethering. Ou seja, algo que está no hardware do iPhone e no software iPhone OS será cobrado pela operadora, que nada terá de fazer, a não ser lucrar. E isso irritou muita gente também.

Se as reclamações contra o monopólio da AT&T em relação a Apple já eram bem comuns, a tendência é aumentar ainda mais. O que isso pode significar?

Mais operadoras, tio Jobs?

Uma das hipóteses reais é a expansão da Apple para outras operadoras americanas. Reza a lenda que a AT&T pagou um valor surreal a Apple para ter direito exclusivo sobre seus produtos, mesmo sem ter visto o primeiro iPhone. Ter uma marca como a maçã no portfólio já bastava. Jobs, oras, não recusou. Hoje, a AT&T continua com o sorriso de orelha a orelha. Mas e a Apple? Será que ela já não está perdendo dinheiro, deixando de vender iPhones e iPads por outras operadoras?

Jobs disse durante a D8 que a adição de mais uma operadora nos EUA “pode existir”, mas que confia em melhorias da AT&T. Olhando o cenário americano atual, com o mar de Androids começando a ser mais do que só uma coceira para a Apple, essa é uma das saídas mais plausíveis para a empresa.

Falando em Android…

O mercado americano de smartphones anda mudando. Segundo a AdMob, são mais de11,5 milhões de iPhones, um número de respeito. Porém, os robôzinhos verdes do Google já são mais de 8,5 milhões. Diante do cenário atual, qualquer deslize da Apple gera a dúvida: “isso aumentará o número de Androids?”. Digamos que é possível. Mesmo os americanos mais afccionados pela Apple vão admitir que as limitações de operadoras, e agora de banda, são fatores muito chatos – isso sem contar os problemas de rede da AT&T, a operadora com estabilidade mais discutível dos EUA. Jason Cross, da PC World, que trocou um iPhone por um Android recentemente, não teve dúvidas em culpar a AT&T pela mudança:

“Em primeiro lugar [dentre as razões para mudar] está a AT&T, operadora norte-americana de telefonia móvel que possui exclusividade com o telefone da Apple. Eu vivo e trabalho em São Francisco, nos Estados Unidos, que é basicamente o nível mais baixo para o serviço horrível da operadora. Estava cansado de ligações perdidas, mas não falo tanto assim ao telefone.

O maior problema mesmo era ter “quatro barras” de serviço 3G, tentar acessar um site, e ver uma mensagem de que não havia conexão de rede. Já perdi a conta de quantas vezes recarreguei uma página na Internet tentando fazer com que meu telefone, aparentemente bem conectado, ficasse online.”

Poder desfrutar da qualidade da Verizon em aparelhos cada vez mais interessantes já está afetando a Apple. Nosso camarada do Gizmodo americano, Jesús Díaz, conhecido amante da maçã, também não aguentou a revolta e largou o iPhone, migrando para o Android. Adicione à formula a pesquisa recente da NPD Group, que relata uma venda maior de Androids do que de iPhones no primeiro trimestre americano. Assim, o Android mostra que não existe um “iPhone killer”; não se mata um sucesso de vendas com um só golpe. São necessárias várias facadas para poder derrubar – ou ao menos fazer balançar – o oponente.

E o que o Brasil tem a ver com isso?

Bom, você pode achar que isso não tem nada a ver com nossa terra brasilis, mas nós discordamos. O iPhone aqui está em todas as operadoras e, mesmo custando (bem) caro, você tem várias opções. Mas o mercado americano é grande o suficiente para que tendências lá sejam copiadas – ou ao menos consideradas – aqui. Em coletivas de imprensa, diversos executivos de operadoras brasileiras andam dizendo que não tem como cobrar o mesmo valor de um plano de dados de pessoas que têm padrões de uso diferentes. E é o que acontece aqui: gente que usa um Nokia velho que mal acessa a Internet, usuários compulsivos de iPhone e pessoas que além de tudo usam o celular como modem pagam basicamente a mesma taxa (cara). Será que isso não vai mudar, se o exemplo da AT&T der certo?

Aliás, e quando o iPad chegar? A Vivo já está maluca de vontade de anunciar seus planos para o tablet, só esperando o OK da Apple no Brasil – é só lembrar do anúncio dos micro-SIMs da empresa, uma boa sacada para você não ter de rasgar seu chip. A questão que fica é: quanto custará o plano de dados? Ele seguirá o padrão americano, usando as mesmas tarifas do iPhone para o iPad? Muitas questões que podem mexer no nosso bolso aqui. Continuaremos acompanhando a batalha da AT&T com seus clientes para ver o que acontece com a gente aqui.