Cientistas chineses publicaram esta semana um artigo anunciando um extraordinário feito: usando a técnica de edição de genomas CRISPR, eles criaram 12 porcos saudáveis com 24% menos gordura corporal que o comum. As implicações dessa pesquisa são potencialmente enormes. Os porcos têm um gene que permite a eles regular melhor a temperatura do corpo ao queimar gordura, algo que pode ajudar fazendeiros a economizar milhões com custos de aquecimento e alimentação e prevenir que pequenos porcos de morrer de frio em temperaturas mais baixas.

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E aí vieram as manchetes.

“Bacon saudável? Cientistas criam porcos magros com menos gordura corporal”, escreveu a Newsweek, piorando ainda mais a situação nas redes sociais, afirmando que “bacon diet pode estar chegando”.

“Porco CRISPR podem produzir bacon com menos gordura”, disse o TechCrunch.

“Cientistas editam genes de porcos e acidentalmente criam bacon mais saudável”, exclamou o BGR.

Mas ai é que está o problema: cientistas não criaram o bacon diet. Bacon não é e nunca será saudável. O que torna o bacon crocante e o faz chiar na frigideira é a gordura. E deixando a gordura de lado, bacon contém quase a metade do sódio recomendado para um único dia e às vezes nitratos para aumentar o seu tempo de vida nas prateleiras do mercado e melhorar a cor. Não é exatamente uma figura saudável.

Os cientistas chineses de fato criaram um porco geneticamente modificado que terá mais carne magra que a maioria dos porcos, o que é algo melhor para fazendeiros que querem vender a  consumidores conscientes. Mas já existem bacons mais magros em qualquer mercado. E, como apontou o Wall Street Journal, quando o assunto é porco, americanos preferem os com mais gordura. Como qualquer amante de porco irá te dizer, bacon mais magro não frita bem. Apesar de criarem um porco com menos gordura, é improvável que um bacon diet chegue a existir.

O que os cientistas fizeram é muito mais significativo. Eles descobriram uma maneira de melhorar a qualidade de vida de animais pecuários ao mesmo tempo em que ajudaram fazendeiros a economizar. Os porcos não têm um gene chamado UCP1, que ajuda a regular a temperatura do corpo em tempos frios e que está presente na maioria dos outros mamíferos. Ao editar a versão de rato deste gene nas células de porcos, eles deram a eles a habilidade de resistir a temperaturas mais frias de maneira mais fácil.

Então, se você está procurando um café da manhã mais saudável, a melhor solução não precisa de nenhuma engenharia genética: apenas diga adeus ao bacon.