A transmissão de HIV é um processo complexo com fatores que vão além de com quem você transa e como. O vírus basicamente precisa encontrar seu caminho até os tipos corretos de células para conseguir causar caos. E parte do risco, pelo menos para aqueles com pênis, pode vir de tipos de bactérias que habitam a ponta do órgão.

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Uma equipe de pesquisadores analisou as bactérias vivendo no prepúcio de pacientes na Uganda e descobriram níveis mais altos de certos tipos de bactéria em pacientes que permaneciam como HIV negativos, contra aqueles que contraíram o HIV durante o curso de um outro estudo. Os cientistas acham que controlar bactérias específicos no pênis, talvez com um antimicrobiano que as tenha como alvo, poderia ajudar a reduzir o risco de infecção de HIV.

As amostras vieram de um teste realizado de 2004 a 2006 e incluíam 182 pacientes não circuncidados, 46 dos quais se infectaram com HIV e 136 que não se infectaram. Todos eles tinham aproximadamente a mesma quantidade de bactérias em seus pênis, mas aqueles que acabaram pegando HIV tinham números maiores de tipos de bactérias que não precisam de oxigênio para sobreviver (chamadas de “anaeróbios”), incluindo Prevotella, Dialister, Mobiluncus e Murdochiella, de acordo com o estudo publicado nesta terça-feira (25) no periódico mBio.

Os pesquisadores têm um palpite para o que fez com que indivíduos com certas bactérias anaeróbias contraíssem HIV: um aumento em moléculas que atraem glóbulos brancos produzido por células no prepúcio. Essas moléculas poderiam especificamente atrair os tipos de glóbulos brancos mais suscetíveis a uma infecção de HIV. “Portanto, a resposta do sistema imune às mudanças no microbioma peniano pode facilitar infecção produtiva por HIV”, escreveram os autores no estudo. Essas bactérias podem, em outras palavras, estar alterando o comportamento do sistema imune para promover uma infecção de HIV.

Obviamente, isso é apenas uma associação, apresentada por um estudo só, mas acrescenta um detalhe importante para o todo. Sim, os tratamentos atuais podem reduzir as chances de um paciente transmitir a doença para quase zero, de acordo com a CNN. Esse novo estudo aponta para novas estratégias para ajudar aqueles que podem não ter acesso aos tratamentos — os populares tratamentos de prevenção PrEP seguem indisponíveis em algumas áreas da África, por exemplo. Além disso, pesquisas antigas já mostraram que a circuncisão diminui as chances de um paciente contrair HIV.

Pelo menos um pesquisador não envolvido no estudo falou positivamente sobre seus resultados: “Esse é um estudo importante que ajuda a tentar entender o risco de homens não circuncidados de contrair HIV”, disse ao Gizmodo, por email, Carlos Del Rio, presidente do Departamento de Saúde Global da Escola Rollins de Saúde Pública, da Universidade Emory. “Parece que a maior presença de anaeróbios no microbioma peniano aumenta significativamente o risco.”

Entrei em contato com os autores do estudo para determinar o que vem a seguir. Mas se os resultados desse estudo se mantiverem, é possível que certos tratamentos antimicrobianos possam ajudar, junto de outros tratamentos, para reduzir o risco que essas bactérias genitais apresentam.

[mBio]

Imagem do topo: AP