O anúncio da aposentadoria de Steve Ballmer da Microsoft pegou muita gente de surpresa na sexta-feira passada, e não foi só para quem não sabe o que acontece nos corredores da empresa: mesmo lá dentro o anúncio foi repentino.

E mais do que repentina, a saída de Ballmer também mostra que as coisas entre ele e Bill Gates não vão muito bem.

O AllThingsD ouviu pessoas de dentro e fora da Microsoft e descobriu que a saída planejada de Ballmer não foi tão planejada assim. Sim, ele já considerava uma aposentadoria, mas não para tão breve:

“Fontes dizem que o cronograma de Ballmer foi drasticamente modificado – inicialmente por ele, e depois pelo conselho de nove membros, incluindo seu parceiro de longa data, co-fundador e presidente da Microsoft, Bill Gates – após todos concordarem que era melhor se ele saísse mais cedo do que mais tarde.”

Em sua carta para os funcionários da Microsoft, Ballmer comentou que “não há um momento perfeito” para anunciar a aposentadoria, mas que seu plano inicial não era deixar a empresa já (ou, no caso, em 12 meses). “Eu pensava em me aposentar no meio da transformação da Microsoft em uma empresa de dispositivos e serviços”, escreveu Ballmer. Mas ele anunciou a saída alguns meses após começar uma reestruturação interna na Microsoft. O que fez ele mudar de ideia?

Talvez tenha sido a relação com Bill Gates. Dentro da Microsoft há quem diga que Gates não estava nem um pouco feliz com o desempenho de Ballmer – ou, ao menos, não apoiava mais tanto o CEO como fez no passado.

“Se que Gates instigou isso? Não,” disse uma fonte com conhecimento da situação. “Mas ele apoiava Ballmer como fazia no passado? Talvez não.”

Ballmer não era bem visto por parte dos investidores da Microsoft, e o anúncio da sua saída fez as ações da empresa subirem cerca de 8%. Ele suportou muito tempo a pressão já que era apoiado por Gates, mas sem Gates ao seu lado as coisas ficaram bem mais complicadas.

Os próximos meses vão ser bem agitados na Microsoft: Ballmer continua no cargo enquanto uma comissão busca o seu sucessor, em meio ao lançamento do Windows 8.1 e do Xbox One, que são peças fundamentais da estratégia de “Uma Microsoft” idealizada por Ballmer. [AllThingsD]