A Bitcoin e outras moedas virtuais precisam da confiança de instituições e de uma regulamentação para crescerem no Brasil (e no mundo todo). Mas é melhor nenhuma delas contar com o apoio do Banco Central. Pelo menos é isso que seu presidente, Ilan Goldfajn, indicou com suas declarações nesta quarta-feira (13).

Goldfajn alertou para o risco de “bolha” e comparou as criptomoedas a “esquemas de pirâmide”. Para o presidente do BC, uma das funcionalidades da Bitcoin é a compra para revenda por preço maior mais para a frente. “Ou seja, comprar e passar para frente, o que é uma típica bolha ou pirâmide. Não é algo que nós, reguladores, deveríamos incentivar”, afirmou.

Talvez Goldfajn viva em um mundo em que atividades ilícitas com moedas tradicionais não existem. O tom de sua fala ao falar desse risco com a Bitcoin aponta isso: “Em algum momento, as moedas são usadas como instrumento de atividades ilícitas. Usar as moedas virtuais para atividades ilícitas não isenta o crime, a pena e a punição”.

O mito de que a Bitcoin seja perfeita para atividades ilegais não se sustenta diante de um pouco de conhecimento técnico. Ela não é diferente das moedas tradicionais, no sentido de que haverá pessoas tentando, e conseguindo, manter seus atos ilícitos, de alguma forma, escondidos. Porém, lavar dinheiro com a criptomoeda, um dos principais temores dos críticos da moeda, pode ser arriscado para quem o faz.

O Blockchain, sistema de registro público e acessível por qualquer um e que registra todas as transações em Bitcoin, e a cooperação de casas de câmbio na coleta de informações dos usuários dificultam o caminho de quem queira operar atividades ilícitas com a Bitcoin.

Outros pontos levantados pelo presidente do Banco Central, no entanto, merecem atenção, como a falta de lastro e regulação, além da ausência de bancos centrais que lhe confiram segurança. É um investimento que fica por conta e risco do investidor, e todos esses pontos são destacados por entusiastas da criptomoeda, que hoje passam por momento de conversas com o Congresso em busca de uma regulamentação que estabeleça as bases para o crescimento da moeda.

[Estadão, G1, Exame]