O Spotify é o maior serviço de streaming de música e um dos primeiros a ter encontrado um modelo de negócios aceitável para os usuários e minimamente agradável para as gravadoras. No início, a empresa se posicionou como uma “alternativa viável à pirataria musical”. No entanto, ao que tudo indica, a versão beta do software estava cheia de arquivos MP3 piratas.

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Quem diz isso é Rasmus Fleischer, um pesquisador e historiador sueco que tem interesse em problemas envolvendo direitos autorais. Sua fascinação com a propriedade intelectual o levou a se juntar à organização sueca Piratbyrån (Escritório ou Secretaria Pirata), um grupo de defesa focado no compartilhamento livre da informação. Entre outros membros do grupo, ele ajudou a lançar o popular site de torrents The Pirate Bay. Quando o Spotify estava nos seus primeiros dias, Fleischer e seus colegas se interessaram pelo serviço.

Fleischer já deixou o The Pirate Bay de lado e atualmente está colaborando com diversos outros autores num livro sobre o Spotify, que deve ser lançado em 2018. Numa entrevista ao site sueco DiGITAL, Fleischer deu algumas informações que estarão no livro Spotify Teardown – Inside the Black Box of Streaming Music (Desmontando o Spotify – Dentro da Caixa Preta do Streaming de Música, em tradução livre). O uso de música pirata no início do Spotify é certamente a parte mais interessante da história, mas a maneira como ele foi avisado sobre a prática foi engraçada.

De acordo com o Torrent Freak:

Rumores de que as primeiras versões do Spotify utilizavam MP3s “piratas” estão por aí na internet há anos. Pessoas que tiveram acesso ao serviço no início relataram depois baixar faixas que vinham marcadas, etiquetadas e com formatos diferentes, sinais claros de que o conteúdo não foi obtido oficialmente.

O beta do Spotify foi lançado lá em 2008. Naquela época, Fleischer estava numa banda e decidiu distribuir o álbum exclusivamente por meio do The Pirate Bay. Logo depois de lançar o torrent de seu próprio álbum, ele descobriu que as músicas estavam disponíveis para transmissão no Spotify. “Eu achei que aquilo era engraçado. Então mandei um email para o Spotify e perguntei como eles conseguiram o conteúdo”, contou. “Eles disseram ‘durante o período de testes, usaremos as músicas que encontrarmos'”.

Para Fleischer, essa história é um grande exemplo sobre a importância da cultura pirata no nascimento do Spotify. Em meio os esforços de vender o serviço para o público, para indústria e políticos, os desenvolvedores simplesmente “distribuíam arquivos MP3 que os funcionários possuíam em seus HDs”.

Fleischer não está tentando abalar o Spotify. Está tentando apenas mapear a história de uma época importante para a tecnologia. Ele vê a cultura pirata que surgiu na primeira década do século como um momento transformativo e sente que o The Pirate Bay “ajudou a catalizar os chamados ‘novos modelos de negócios'”. Segundo ele, não é coincidência que o Spotify foi formado em 2006, no mesmo ano que o The Pirate Bay foi atacado e ficou fora do ar temporariamente.

É fácil esquecer que muitos personagens da tecnologia começaram ilegalmente. O primeiro negócio do CEO do Uber, Travis Kalanick, foi uma rede peer-to-peer que fracassou, chamada Scour. Antes de ganhar bilhões com o Facebook, Sean Parker foi fundador do Napster. O CEO do Spotify, Daniel Ek, era CEO do uTorrent antes de sair e fundar sua própria empresa. Eram iniciativas menos nocivas. Atualmente, pessoas como Kalanick precisam causar danos reais para continuar com um negócio “disruptivo”.

[DiGITAL via Torrent Freak]