No começo de 2013, falamos um pouco sobre a BiblioTech, a primeira biblioteca de e-books do mundo. Localizada na cidade de San Antonio, no Texas, Estados Unidos, a biblioteca não contaria com nenhum livro físico e trabalharia apenas com o empréstimo de leitores de livros digitais.

Faz alguns meses que ela começou a operar, e foi muito bem recebida pelo público. E há quem aponte para ela e veja o futuro das bibliotecas – acabam as estantes cheias de livros para as pessoas procurarem o que precisam e se inaugura uma espécie de Apple Store voltada para a literatura. Sim, por que a BiblioTech, por dentro, lembra bastante uma Apple Store, como descreve a Associated Press:

“O Texas viu o futuro das bibliotecas públicas, e elas parecem muito com uma Apple Store: fileiras de iMacs brilhantes acenam. iPads montados em uma mesa cor de tangerina convidam os leitores. E centenas de outros tablets estão prontos para serem levados por qualquer pessoa com um cadastro na biblioteca.

Mesmo os bibliotecários imitam o código de vestimenta da Apple, com camisas combinando e um capuz.”

De fato, ao observar algumas fotos do interior da BiblioTech, pensamos que se trata de qualquer coisa, mas não de uma biblioteca. Talvez uma loja da Apple mesmo, ou qualquer outra de produtos eletrônicos. Talvez um laboratório de informática dentro de uma faculdade. Mas uma biblioteca? Não, não parece.

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Os visitantes da BiblioTech podem levar para casa um e-reader para ler os livros em casa. Ou, se preferirem, nem precisam se locomover até o ambiente físico da biblioteca – é possível evitar esse esforço e checar o conteúdo dela pela internet mesmo, já que os livros estão todos armazenados na nuvem. Mas os seus idealizadores acreditam que a biblioteca física ainda é importante para a experiência completa, como explicou Laura Cole, coordenadora de projetos especiais da BiblioTech, à CNN Money em outubro passado:

“Nossa biblioteca digital está armazenada na nuvem, então você não precisa vir até aqui para pegar um livro. Mas somos uma biblioteca tradicional na qual o edifício em si é um importante espaço comunitário.”

Sobre os aparelhos, o prédio onde fica a BiblioTech conta com 45 iPads, 40 laptops e 48 desktops para serem consultados por seus visitantes, que podem navegar por um catálogo de 10.000 e-books. Caso a pessoa não tenha um tablet ou e-reader para ler a versão digital do livro em casa, ela pode pegar um dos aparelhos para aluguel – são 600 e-readers tradicionais e 200 outros voltados para crianças, de marca não especificada.

Enquanto muito se discute sobre o futuro dos livros, se eles serão apenas digitais, ou se ainda há espaço para as suas formas físicas, as bibliotecas parecem começar a se preparar para o mais assustador dos cenários – aquele em que todo mundo lê apenas versões digitais de obras e o fim da necessidade de carregar livros pesados. Se esse futuro devastador para os livros físicos vai ou não se concretizar ainda não sabemos. Embora seja muito improvável que o livro físico seja obliterado, se isso acontecer, ao menos sabemos que a experiência de visitar uma biblioteca não estará perdida para sempre. Ela só vai ser bem diferente do que estamos acostumados. [CNN Money, New York Post]