Biohacking é um daqueles termos estranhos usados para descrever todas as formas em que uma pessoa modifica e melhora o próprio corpo. Isso vai desde experimentos mais leves, como beber um nojento café com manteiga; até algumas modificações mais intensas, como implantar orelhas extras nos braços.

Implantar ímãs e chips de identificação de radiofrequências embaixo da pele já são experiências relativamente comuns, e enquanto ainda é arriscado fazer tais procedimentos sem um médico, eles já são realizados o suficiente para não serem categorizados como “extremos”. Ímãs de ouvido feitos por conta própria e colírios de visão noturna, no entanto, estão indo ao limite de como as pessoas hackeiam o próprio corpo para torná-lo melhor.

Não me leve a mal: a comunidade dos “grinders” — pessoas que fazem experimentos de biohacking no próprio corpo — é bem bacana. Dispositivos como marca-passos e implantes cocleares são exemplos de biohacks usados pela comunidade médica, e o movimento biohacker está explorando maneiras que podem levar a avanços significativos na área de ciborgues.

Mas a maioria dos hacks corporais ocorrem fora da comunidade médica; eles envolvem implantes “faça-você-mesmo” por necessidade. E alguns dos biohacks mais arriscados se distanciam de melhorias audaciosas, e parecem algo mais próximo do autoflagelo. Por exemplo:

Colírios de visão noturna

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Imagem via Scienceforthemasses.org

É óbvio que visão noturna é legal. Eu pagaria um bom dinheiro para enxergar durante a noite, tanto para parar de tropeçar nas minhas calças, quanto para confrontar fantasmas. Então, eu entendo porque este biohack de visão noturna, no qual o grinder Gabriel Licina pingou clorina e6 (Ce6) nos próprios olhos e usou lentes de contato pretas para ver no escuro, é tão interessante. E Licina diz que o experimento funcionou temporariamente, mas foi um teste totalmente subjetivo.

Uma oftalmologista questionada sobre o projeto, no entanto, advertiu sobre os perigos de se fazer isso em casa. Ela diz que uma única aplicação de Ce6 pode causar hemorragia e oclusão das veias da retina.

Implantes nos ouvidos

O conhecido grinder Rich Lee sabia que estava ficando cego, então ele decidiu implantar ímãs nas orelhas para melhorar a própria habilidade de processar o som. Ele tomou precauções, contratando um artista profissional de modificações corporais. Mas este não deixa de ser um procedimento arriscado, que pode levar a infecções sérias.

Treinamento amador de termogênese

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Quando o corpo está frio, ele amplifica a produção de calor. Este processo é chamado de termogênese, e alguns biohackers estão interessados nele para perder peso e para se acostumar melhor com temperaturas mais geladas.

Cientistas do exercício usam banhos de gelo para induzir a termogênese e preparar nadadores de longas distâncias (como Louis Pugh, fotografado acima) para as águas de baixa temperatura, mas este é um procedimento perigoso para se tentar em casa. O grinder e fundador do café Bulletproof, Dave Asprey, descobriu isso em primeira mão quando deixou sacos de gelo sobre o próprio corpo por muito tempo e acabou se queimando.

“Essa é uma situação real na qual o biohacking não deu certo. Foram semanas para eu me recuperar, e meus últimos exames de sangue ainda mostram altas inflamações como resultado”, ele escreveu.

Um computador biométrico enorme

Não sei se preciso te dizer que isso não foi feito por um médico, mas isso não foi feito por um médico.

A ideia por trás disso é uma extensão do movimento de autoquantificação: um dispositivo implantável que mede dados do corpo – como a temperatura e a pulsação – e os envia por Bluetooth. A execução, no entanto, deixa muito a desejar, especificamente um volume enorme no braço. Saber mais informações sobre a própria saúde não é bom o suficiente se o resultado fica parecendo que o seu braço engoliu uma fita VHS.

Nulificação

1252209242189711911Um “nullo” é um homem que não é transexual, e decide remover os próprios órgãos genitais. Cirurgias para fazer essa intensa modificação já foram feitas de forma segura anteriormente, mas eunucos amadores estão se ferindo com tentativas de castração feitas em casa.

Este tipo de modificação é vista como biohack pois, ao remover os órgãos genitais, os eunucos removem partes indesejadas para tornarem os próprios corpos melhores.

No caso do homem ao lado, que usa o pseudônimo Gelding, ele sentia dores intensas na região anos após uma lesão ao jogar futebol – o único jeito de resolvê-las era deixar o órgão dormente, ou removê-lo.

A comunidade dos nullos é separada e bem distinta dos grinders, mas é um exemplo de como as modificações corporais, no sentido de buscar um porte físico melhorado, tendem a significar coisas bem diferentes.

Primeira imagem: screenshot do YouTube