O governo brasileiro lançou, nesta quinta-feira, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa. O SGDC tem usos civil e militar e será utilizado para a transferência de informações de segurança nacional e também para a expansão da oferta de banda larga em todos os cantos do Brasil.

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O SGDC é resultado de uma parceria entre a Embraer e a Telebras, que criaram a joint-venture Visiona para o projeto. A Visiona foi fundada em 2012 com o objetivo de desenvolver o satélite, e a expectativa inicial era de que o equipamento estivesse em órbita em 2014. À época da assinatura do contrato para o fornecimento do SGDC, em novembro de 2013, ele foi orçado em R$ 1,3 bilhão e com previsão de entrega no fim de 2016. Agora já lançado, o projeto decolou com sucessivos atrasos e custando mais do que o dobro do preço inicial: R$ 2,784 bilhões.

Além do satélite brasileiro, o foguete Ariane 5 que deixou a base de Kourou nesta quinta transportou ao espaço também o KOREASAT-7, da operadora sul-coreana Ktsat.

O SGDC foi montado pela franco-italiana Thales Alenia Space, com quem o acordo do governo brasileiro incluiu também transferência de tecnologia. Ao todo, 50 brasileiros foram enviados à França para acompanhar a fabricação do equipamento e aprender a operá-lo. Esses profissionais agora vão trabalhar nas duas estações de controle do satélite, localizadas em Brasília e no Rio de Janeiro.

Em sua utilidade civil, o satélite vai ampliar a capacidade das telecomunicações, sobretudo expandindo a cobertura dos serviços de internet banda larga no Brasil em áreas de difícil acesso. Uma mudança que o presidente Michel Temer classificou como “democrática”.

“Vamos democratizar o fenômeno digital do Brasil, já que a banda larga vai atingir todos os recantos do nosso país. Democratizando o sistema digital no nosso país. É um grande momento para o nosso governo”, disse Temer, em declaração publicada pelo G1.

O satélite também vai representar um meio seguro para a troca de informações civis e militares envolvendo a segurança nacional. Este uso deve começar a valer a partir de junho deste ano, enquanto a ampliação das telecomunicações entra em vigor em setembro.

A Abrasat (Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélite) apresentou em março deste ano dados que mostravam uma expectativa de investimentos de mais de US$ 2 bilhões nos próximos três anos após o lançamento do SGDC, valor significativo quando comparado com os US$ 4,5 bilhões investidos pelas operadoras no Brasil nos últimos dez anos.

Confira abaixo o vídeo do lançamento do Ariane 5, transportando o SGDC:

[G1, Tecnoblog]

Imagem do topo: Divulgação/Visiona