Veio à tona, em novembro do ano passado, a informação de que o Uber havia pagado US$ 100 mil a hackers que haviam expostos dados de 57 milhões de seus usuários em 2016. Antes da revelação, feita pela Bloomberg, a empresa havia ocultado o caso. Agora, pouco menos de três meses depois, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu explicações à empresa sobre o incidente.

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À época das primeiras informações sobre o vazamento, a empresa havia dito que aproximadamente 196 mil pessoas no Brasil haviam tido suas informações expostas, embora a companhia diga que o número não seja “exato e nem definitivo”. Ao MPDTF, o Uber pediu 15 dias para apresentar as explicações. A empresa afirmou ao G1 que “já recebeu o ofício do MPDFT solicitando esclarecimentos e responderá fornecendo todas as informações necessárias”.

Frederico Meinberg, coordenador da Comissão de Proteção dos Dados Pessoais, órgão que redigiu o pedido, explicou a ação “diante da gravidade dos fatos. Nos Estados Unidos e em países da Europa, foram abertas investigações contra a Uber, mas na América Latina, não”.

Confirmado o vazamento dos dados dos usuários brasileiros, Meinberg afirma que o Uber precisará descrever detalhadamente o caso, “o total de pessoas afetadas, as localidades e os tipos de dados pessoais que foram comprometidos”. O MPDTF ainda busca saber se já houve investigações internas na empresa e quais suas conclusões.

Dentre as informações roubadas pelos hackers estavam nomes, endereços de email e números de telefone de usuários do Uber, assim como nomes e números de licenças de motoristas (600 mil só nos Estados Unidos).

A demora brasileira, em comparação com outros países, na solicitação por esclarecimentos se explica pela vida ainda curta do órgão responsável pelo pedido. A comissão foi criada apenas em novembro de 2017, mês da revelação do vazamento, com o intuito de tratar da proteção dos dados pessoais, promovendo conhecimento das leis e políticas públicas em torno do tema.

A mesma comissão iniciou sua vida com disposição, recomendando, no mês passado, que a Netshoes tomasse uma atitude depois do vazamento de informações de 2 milhões de usuários, um incidente classificado por Meinberg como “um dos maiores incidentes de segurança registrados no Brasil”.

Se a nova comissão significará uma virada de página no policiamento de dados de usuários brasileiros, ainda não sabemos. Mas o Uber calhou de cair no radar enquanto o órgão tenta mostrar serviço de cara e justificar sua criação.

[G1]