Já classificado como uma das maiores aquisições de empresas de tecnologia, a Broadcom, produtora de semicondutores, ofereceu cerca de US$ 105 bilhões para adquirir a Qualcomm, dona dos populares chips Snapdragon. A aquisição transformaria as empresas na terceira maior fabricante de chips do mundo.

A proposta não solicitada da Broadcom oferece a Qualcomm US$ 70 por ação, equivalente a 28% acima da cotação no fechamento da bolsa em 2 de novembro — até então, o título de maior aquisição era da Dell, em 2015, quando adquiriu a EMC por U$ 67 bilhões. Caso você ainda não tenha noção de quão grande é essa aquisição, lembre-se que o Facebook adquiriu o WhatsApp por “apenas” US$ 19 bilhões. Além dos US$ 105 bilhões, a Broadcom também adquiriria uma dívida de U$ 25 bilhões da Qualcomm.

Segundo a Bloomberg, a Qualcomm não está interessada em ser adquirida, afirmando que a negociação diminuiria o valor da companhia. No entanto, a discussão da compra está em estágio inicial e cenário pode mudar. A empresa afirmou em um comunicado que “avaliaria a proposta para determinar uma decisão que seja do melhor interesse dos investidores da Qualcomm”.

Momento delicado

A oferta parece se aproveitar de um momento delicado para a Qualcomm, que vem sofrendo ataques por todos os lados e adquiriu algumas salgadas dívidas neste processo. No início de outubro, por exemplo, a empresa foi multada em aproximadamente US$ 774 milhões por abusar do monopólio de modens para smartphones em Taiwan.

A empresa trambém trava diversas batalhas judiciais com a Apple e seus parceiros. Em julho, junto da Foxconn, Compal Eletronics, pegatron Corp e Wistron Crop, a Apple processou a Qualcomm por preços caros na licença de suas patentes — a dona do iPhone afirma que a Qualcomm se aproveita de sua posição no mercado para cobrar valores abusivos. A Apple parou de pagar as licenças e planeja desenvolver seus futuros dispositivos sem chips da Qualcomm. Além disso, em janeiro, os EUA processaram a empresa em US$ 1 bilhão por práticas anti-competitivas.

A Qualcomm também está no meio do processo de aquisição da NXP Semiconductors NV e a compra está passando por problemas regulatórios na Europa e por acionistas da NXP contrários a aquisição.

O que isso significa para a indústria

Broadcom e Qualcomm são listadas entre as 10 maiores fabricantes de chips do mundo. A Broadcom talvez não seja muito conhecida, mas oferece soluções em semicondutores de celulares a automóveis. Já a Qualcomm é dona dos processadores Snapdragon, que estão em praticamente todos os smartphones Android, dos mais simples até os modelos topo de linha, passando por empresas como Samsung, Asus e até mesmo a chinesa Xiaomi.

A também Qualcomm é dona uma variedade de patentes de redes sem fio e é a maior fabricante de modens para celulares, incluindo os que a Apple usa em seus iPhones. Assim, caso a aquisição se concretize, a Broadcom se transformaria na terceira maior fabricante de chips do mundo, atrás apenas da Intel e Samsung. O que, segundo um comunicado, é o plano da Broadcom: se transformar em líder do mercado de comunicações — o que pode prejudicar o cenário de competitividade, já que a possível fusão Broadcom-Qualcomm faria da empresa a grande controladora dos modens Wi-Fi e celulares do mercado, componentes vitais para qualquer smartphone, mas a empresa pode ter de enfrentar reguladores anti truste para completar a aquisição.

Imagem de topo: Qualcomm