É difícil enxergar um lado positivo em uma tragédia. E resolver tragédias muitas vezes exige uma quantidade imensa de esforço, e esse esforço resulta em novos conhecimentos. Novas técnicas de perícia surgiram a partir da identificação das vítimas do 11 de setembro, por exemplo. Outra tragédia, o desaparecimento do voo MH370 da Malaysian Airlines há três anos, está começando a produzir conhecimentos para a comunidade científica.

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Uma busca de praticamente três anos se seguiu depois que o avião desapareceu no dia 8 de março de 2014. O MH370 não foi encontrado, mas o governo australiano liberou agora um mapa incrivelmente detalhado que foi criado para sua busca. Esse esforço torna o Oceano Índico uma das partes mais bem mapeadas do oceano profundo, de acordo com a Eos.

Para buscar o avião, foi utilizado, entre outras coisas, ondas sonoras por meio de um sonar, enviadas por um navio em movimento. Essas ondas eram enviadas para o fundo do oceano e voltavam. As ondas que retornavam continham informações a respeito do formato do fundo do mar. Algumas delas precisavam viajar quase seis quilômetros para chegar ao fundo, escreve a Eos.

Os governos da Malásia, China e Austrália suspenderam as buscas pelo MH370 em janeiro desse ano. O governo australiano publicou os dados do mapa na internet, de graça, junto com uma página sobre como e por que a coleta de dados aconteceu. A maioria dos mapas mostra a área em torno do chamado “sétimo arco“, uma curva que se estende em frente à costa ocidental da Austrália que incluía a possível posição da aeronave baseada na distância que ela pode ter viajado depois da última conexão com os satélites de comunicação. Os dados coletados cobriram uma área de aproximadamente 440 mil quilômetros quadrados, o que se aproxima do tamanho do Estado da Bahia, que tem 567 mil quilômetros quadrados.

Além de dados incrivelmente detalhados, os pesquisadores aprenderam mais sobre o Oceano Índico a partir desses mapas. As descobertas incluem algumas novidades e aprendizados sobre o penhasco submarino de 1,2 quilômetro de extensão em Broken Ridge, mostrado no vídeo abaixo:

A equipe do Governo da Austrália está processando mais dados, incluindo alguns coletados por embarcações subaquáticas, e planeja liberá-los no meio de 2018. Mas os primeiros dados revelados mostram o tamanho e a organização dos esforços de buscas e como eles podem contribuir com a ciência. Outros pesquisadores com quem conversamos anteriormente estão desenvolvendo métodos para localizar o avião utilizando ondas sonoras subaquáticas, um método que também pode ajudar a prever tsunamis.

[Eos]