Chegou ao fim mais uma Campus Party em São Paulo, e, antes de começar a pensar na próxima edição (em julho ela estará em Recife e em 2014 de volta a São Paulo), é preciso repensar muita coisa sobre o evento.

A Campus Party 2013 superou alguns problemas dos anos anteriores. Teve reforço na segurança para diminuir os furtos. Tinha água em todos os cantos para ninguém passar sede. A comida estava a um preço até aceitável. E, com a colaboração do tempo em São Paulo, não esteve tão quente quanto no ano passado (que chegava perto do calor insuportável com chuvas fortíssimas durante a tarde e a noite). Mas ela teve outros problemas – e não estamos falando de ratos.

O Anhembi parecia vazio e desanimado. A organização colocou 8 mil ingressos à venda e, segundo o site oficial, foram vendidos 7.631 (ainda estamos esperando números finais de quantas pessoas participaram do evento). Ano passado eram 7.500 vagas que esgotaram um bom tempo antes do evento. E, mesmo assim, com supostamente mais gente no Anhembi, a sensação que eu tinha ao caminhar pelo evento era de um lugar vazio.

Alguns fatores contribuem para esse sentimento de abandono. Para começar, como a Ana destacou, muitas barracas estavam vazias, o que mostra que a organização esperava muito mais gente do que teve. Mas não foi só isso. Algumas pequenas coisas também ajudam a passar a sensação de vazio. Ano passado eu tinha um pouco de dificuldade em achar um espaço para sentar e ligar um cabo de rede no meu notebook. Esse ano não foi nem um pouco difícil achar mesas completamente vazias com espaço para grandes grupos de pessoas se sentarem lado a lado ligados à internet. É claro que isso pode significar que a organização disponibilizou mais mesas e cabos de rede para os campuseiros, mas também mostra que os próprios organizadores achavam que o público ia ser maior do que o que apareceu no Anhembi. A sensação geral é que o Anhembi era grande demais para a edição deste ano.

Campus Party 2013

E a sensação de vazio era ainda maior ao assistir uma palestra. Antes de comentar o conteúdo das mesas, é bom destacar que muitas delas tinham um público bem baixo. E isso inclui as do palco principal: tirando Buzz Aldrin, que fez muita gente ficar em pé enquanto acompanhava o que ele tinha a dizer, poucos foram os palestrantes que encheram as cadeiras do principal palco do evento. Na sexta-feira, por exemplo, o keynote de Mark Surman foi marcado por vários assentos livres – o que é uma pena, já que a apresentação dele foi bem legal. Nos outros palcos, então, a situação era bem pior com palestras praticamente vazias.

Mas o que fez o público se afastar das palestras? Bem, tenho um palpite: o conteúdo delas. Discussões sobre temas batidos, repetição de nomes dos anos anteriores e um aparente medo de se aprofundar em alguns temas. Uma palestra sobre Impressora 3D explicava como elas funcionavam, mesmo que a tecnologia não seja exatamente nova. Os debates sobre liberdade de internet tinham os mesmos especialistas de edições passadas. Nós já sabemos o que eles têm a dizer. Que tal pessoas novas? Discussão sobre o Marco Civil da Internet de novo? De verdade?

Isso sem contar que os debates vão do nada a lugar nenhum: quando todo mundo tem a mesma posição sobre determinado assunto não temos um debate, e sim uma conversa.

Para quem foi pela primeira vez, a Campus Party 2013 foi ótima. Mas para quem já foi ao menos em uma das edições anteriores, ela não teve muito sentido. Durante essas seis edições em São Paulo, ela cresceu em tamanho, mas não em conteúdo – continua parecendo um evento apenas para os iniciantes, como se toda edição fosse a primeira.

E, se o preço continuar alto e sem muitas atrações realmente boas, ela corre o risco de perder cada vez mais relevância nas próximas edições. O que é uma pena, já que é um evento com um potencial imenso que fala com uma geração que pode ser protagonista de um momento importantíssimo da história do Brasil. Esperamos nos ver em 2014, mas bem diferente do encontro de 2013.

Foto via campuspartybrasil/Flickr