Empresa de tratamento de efluentes, Okena caminha para a economia circular

Você já ouviu falar em economia circular? É um sistema que pode ser a solução para minimizar o impacto humano no meio ambiente. Como? Fazendo dos resíduos insumos para a produção de novos produtos. Basicamente, é um modelo que propõe o reaproveitamento do que é produzido, e pode ser aplicado em empresas de diferentes segmentos. Inclusive, nas de tratamento de efluentes industriais, como é o caso da Okena.

Fundada em 2010, a Okena é até o momento uma empresa de tratamento. Ou seja, ela recebe a água contaminada, trata os resíduos, elimina os contaminantes e garante ao efluente uma destinação ambiental adequada. Tudo isso em duas etapas: a físico-química e a biológica. Na físico-química ocorre a eliminação da maior parte dos resíduos inorgânicos por meio de processos como filtração e gradeamento (remoção de sólidos retidos em grades ou telas). Depois, são adicionados mais processo físicoquímicos para a coagulação e precipitação dos contaminantes. Por fim, acontece a segunda filtração. Nela, os resíduos ficam presos em um lodo, filtrado posteriormente, de onde a água sai tratada (sem metais, óleos e outros resíduos perigosos).

Depois disso, vem a segunda etapa, a biológica. Aqui, há a redução da DQO (Demanda Química do Oxigênio), que significa reduzir a carga orgânica do efluente até que ela esteja adequada às regras de lançamento nos rios, com critérios referentes ao PH e a temperatura da água, por exemplo. Após o lançamento, a Okena emite um certificado atestando que a empresa deu um destino ambiental correto ao efluente.

No entanto, mais do que uma empresa que trata os efluentes, a Okena quer reaproveitar os resíduos e devolver para a sociedade novos produtos ou matérias primas. “Resumidamente, a gente acredita que os efluentes têm muita riqueza desperdiçada e que muitos deles são passíveis de recuperação”, afirma Ricardo Glass, CEO e fundador da empresa. A ideia de reaproveitamento dos efluentes vem de um olhar inovador e responsável da Okena, aliado ao advento de novas tecnologias no ramo, como, por exemplo, a nanofiltração – processo de separação dos resíduos sólidos dos líquidos por membranas, movido pela diferença de pressão.

Na prática, isso acontece de algumas formas, como no caso da Natura: a Okena recebe dois efluentes da Natura. Um com álcool e outro com óleo vegetal. Usando a lógica da economia circular, ao invés de simplesmente tratar estes efluentes e lançá-los adequadamente nos rios, a empresa consegue, por exemplo, destilar o álcool e devolvê-lo para a Natura. Desse modo, eles podem excluir a compra de etanol. O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao óleo vegetal. A Okena pode separar o óleo da água, refinar e transformá-lo em biodiesel para que a Natura utilize em seus geradores. Inclusive, isso já foi feito em escala piloto, ou seja, como teste.

Foi pensando em transformar esse desejo de migrar de forma mais rápida para economia circular em realidade que a Okena se inscreveu no Braskem Labs, programa de aceleração da Braskem, e foi uma das dez selecionadas na edição 2017. As principais dificuldades da empresa hoje estão relacionadas a processos, gestão de pessoas e pesquisa e desenvolvimento na área de materiais que podem ajudar na migração para a economia circular. Para Ricardo, o Braskem Labs pode e já vem ajudando nisso. “Estamos recebendo auxílio principalmente na parte de gestão. Aprendemos e descobrimos novas ferramentas e formas de administrar processos que podem nos tornar mais eficientes”, finaliza.

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