É muito bom quando alguém faz uma pergunta que te deixa intrigado. Melhor ainda quando você não tem a resposta. Pensar é um baita exercício para o cérebro. Por isso que fiquei bem contente quando cheguei ao final desse vídeo do TED sobre “Como atualizar a democracia para a era da internet”. Infelizmente, o vídeo está em inglês. Porém, ele tem legendas em português do Brasil. É só escolher do lado direito da tela.

GIZ DEBATE: O que pode ser efeito para avançar a tecnologia e a inovação no Brasil? 

NOSSAS PROPOSTAS: As ideias do Gizmodo para um Brasil inovador 

De todo modo, dá para resumi-lo assim: por que a gente continua usando os mesmos sistemas  de participação e votação do século 18 para as democracias do século 21? Essa é a pergunta que a argentina Pia Mancini faz no vídeo. É uma pergunta que faz a gente coçar a cabeça.

Em outubro, na loucura das eleições presidenciais, escrevi um texto aqui no Gizmodo sobre como são as eleições em outros países. Basicamente, boa parte do mundo não anda muito feliz com a forma como está sendo governada e como escolhe seus representantes. Faz sentido. O mundo evoluiu um bocado – e ficou ainda mais complicado. É muito difícil aproximar a sociedade das infames “instâncias de poder”.

Hoje, basicamente, nos limitamos a acompanhar nossos representantes nas redes sociais (quando eles usam) ou a usar os sites do Legislativo, do Executivo e do Judiciário (quando eles têm uma interface amigável para qualquer brasileirinho). A urna eletrônica teve seu valor – embora seja insuficiente, bastante insuficiente. O que Pia Mancini propõe é usar as redes para tornar cada representante mais responsável pelas decisões que toma. É como se cada representante virasse um canal DE VERDADE entre você e o poder.

É claro que isso é melhor dito do que feito. É preciso que as pessoas se interessem e que a tecnologia seja simples de usar.

Por isso que fiquei feliz quando recebi um email hoje sobre a plataforma virtual  #EuVoto.  O objetivo é permitir que os moradores de São Paulo registrem suas opiniões sobre os projetos de lei na Câmara Municipal. Cada um pode dizer “Sim”, “Não” ou abstenção para os projetos que estiverem na plataforma. Ariel Kogan, coordenador do projeto, explica:

“As diversas manifestações nos últimos anos no Brasil e no mundo mostram que é preciso implantar e promover processos inéditos no legislativo municipal brasileiro. Isso pode provocar um avanço importante para os mecanismos de consulta cidadã, tomada de decisões e construção de diálogo mais amplo”, explica.

Ariel promete que a plataforma será simples e que, mesmo em fase de teste, será possível votar pelo celular, tablet ou computador pelo site EuVoto.org.

O projeto é apoiado pela Open Knowledge Brasil e pela Fundação Avina. O software utilizado pela plataforma é o DemocraciaOS, criado na Argentina, e já presente em cidades do vizinho, do México, da Ucrânia, da Finlândia, da Espanha e dos Estados Unidos. E adivinha por quem ele foi criado? Sim, pela Pia Mancini, do começo do texto.

“Numa era em que uma nova tecnologia da informação nos permite participar de forma global em qualquer debate, nossos obstáculos de informação são totalmente minimizados, e podemos, mais do que nunca, expressar nossos desejos e nossas preocupações.Nosso sistema político continua o mesmo de 200 anos atrás, e espera-se que fiquemos satisfeitos por sermos simplesmente ouvintes passivos de um monólogo”, explicou Pia. “Para mim, parece que o slogan do século 18, que foi a base da formação de nossas democracias modernas, “nenhuma tributação sem representação”, hoje pode ser atualizado para “nenhuma representação sem debate”.

É fácil? Claro que não. Ainda é suficiente? Longe disso. Mas uma hora isso tem de começar – e tem de crescer. Se você conhece alguma iniciativa bacana sobre democracia e tecnologia, me avise lá no Twitter. Estou lá como @leandrobeguoci

 

Foto: Divulgação. É uma imagem de como o Ministério da Defesa ajuda a levar urna eletrônica para tudo quanto é região do país durante as eleições