O trem expresso de passageiros que liga Guangzhou a Wuhan na China, inaugurado ontem, é tipo o trem-bala ligando Rio de Janeiro e São Paulo, com uma diferença importante: ele existe. E, com velocidade média de 350 km/h, é a partir de agora o mais rápido do mundo. 

O trem de passageiros (que tem velocidade máxima de 394.2 km/h) foi desenvolvido em parceria com empresas estrangeiras como Siemens, Bombardier e Alstom. Os outros trens muito rápidos vão bem mais devagar, segundo os chineses, com velocidade média de 277 km/h (o TGV francês) e 243 km/h (o trem-bala japonês). Quando estive no Japão este ano, me disseram que eles só não fazem algo mais rápido porque não está claro quais os riscos para a saúde dos passageiros, especialmente quem tem marcapasso. Outra coisa importante: quando passa por dentro das cidades, o trem-bala do Japão diminui um pouco a velocidade para fazer menos barulho. Educado, ele.

O percurso completo do trem rápido chinês cobre 1.068 Km, e é a primeira parte do projeto chinês de fazer 16 mil km de linhas de altíssima velocidade ligando as principais províncias. Até ontem, nenhuma estava em operação. Em 2012, serão 13 mil km. Para se ter uma ideia, a malha ferroviária brasileira tem 28.522 km no total.  

A velocidade dos chineses em construir, mostra que, ao menos no papel, dá para fazer trens rápidos, rápido. São só vagões e trilhos, afinal. Logo, assim que descobrirmos como fazer o túnel por baixo de São Paulo, completamos nossa ponte aérea férrea a tempo da Copa. Fim de ano, época de ser otimista.