Era senso comum dizer que ninguém pagaria por uma rede social como Facebook ou Twitter. O Facebook até diz na página de entrada que “é gratuito e sempre será”. Aí o desenvolvedor Dalton Caldwell resolveu lançar o App.net, uma rede social semelhante ao Twitter, mas que cobra dos usuários US$50 por ano. Dez mil pessoas já entraram – e pagaram. Como é?

Caldwell teve seus 15 minutos de fama ao criticar duramente o Facebook em uma carta aberta. Ele criou um produto, baseado no Facebook, que poderia concorrer com o recém-lançado App Center/Central de Aplicativos. O Facebook simplesmente não deixou o produto funcionar, porque isso afetaria a receita em propaganda na rede social.

Então Caldwell se propôs a criar uma rede social livre das pressões de propaganda. A App.net não tem anúncios, nem vende dados dos usuários para empresas de marketing. E os posts em tempo real são públicos – você pode vê-los aqui de graça. No entanto, o serviço é pago: são US$50/ano pela conta mais barata (há planos de cem ou mil dólares por ano). O objetivo era arrecadar US$500.000 para manter a nova rede social, num site próprio semelhante ao Kickstarter. O valor total já passou de US$700.000.

Por que pagar?

Qual o sentido de pagar para entrar em uma rede social? Já existem serviços livres de propaganda, como o Identi.ca e o Diaspora. (O Google+ não tem propagandas, mas é mantido por uma empresa que vive delas, então não conta.) Algumas redes de nicho, como Flickr ou Badoo, cobram por serviços adicionais – mas o básico é de graça. O App.net, então, é muito diferente ao cobrar de todo usuário.

Talvez isso reflita como os usuários estão insatisfeitos com as grandes redes sociais. Facebook e Twitter têm notas relativamente baixas neste ranking de satisfação do consumidor. E à medida que tentem rentabilizar a rede, estas redes podem ficar cada vez mais agressivas com propagandas – caso do Facebook, por exemplo. O usuário é o produto, e fica em segundo plano.

Ou talvez o App.net seja uma forma de retornar aos bons tempos em que só um grupo seleto de pessoas usava o Twitter ou o Facebook. Como escreve Whitney Erin Boesel no Society Pages:

Lembre que a base original de usuários “early adopters” em 2007 era chamada de digerati, homens influentes com conexões na indústria da tecnologia… [A]queles early adopters “sagazes e inteligentes” agora reclamam porque serviços como Twitter e Facebook “não se desenvolveram conosco”, e Caldwell vê anúncios do K-Mart no seu feed como mais outro sinal de que o Twitter está se degradando e aviltando.

Pelo visto no feed público do App.net, parece que o “digerati” encontrou outro lugar para postar mensagens curtas. E como o serviço é pago, ficam de fora as pessoas que poderiam estragá-lo. Por US$50/ano, não há orkutização.

Ainda é difícil para mim processar a ideia de que dez mil pessoas preferiram pagar por uma rede social, em vez de usar uma rede gratuita e sem propagandas. Mas grandes nomes da tecnologia – como Marco Arment, John Gruber, Robert Scoble e Peter Rojas – já manifestaram apoio ao projeto. Isso pode dar certo, e isso é bem maluco. Faz sentido para você? [App.net via The Verge]