Atualmente podemos mandar fotos para o outro lado do mundo em segundos (e provavelmente é por isso que aquele serviço de fotografia popular em smartphones é chamado de Instant-Gram™.) Mas há um século, enviar uma foto para o outro lado do oceano era um processo muito mais trabalhoso do que tirar uma foto na frente do espelho e colocar para seus 3.000 amigos mais próximos apreciarem.

Na manhã de 24 de janeiro de 1926, um transatlântico norte-americano chamado S.S. President Roosevelt estava transportando 200 passageiros com destino à Alemanha. O Roosevelt recebeu um pedido de socorro no Oceano Atlântico, e foi tomada a decisão de ir atrás da sua origem. A chamada vinha do S.S. Antinoe, um navio cargueiro britânico que havia passado por um clima terrível e estava à beira do naufrágio. O resgate da tripulação demorou três dias e meio, e dois homens morreram no processo. Mas o restante da tripulação (incluindo o capitão) foi salvo, e viajou a bordo do S.S. President Roosevelt para uma passagem não programada até a Alemanha.

Durante o resgate, alguém do S.S. President Roosevelt tirou uma foto do naufrágio do Antinoe. Pouco tempo depois, a mesma imagem aparecia em jornais ao redor dos Estados Unidos. Mas como a fotografia foi de Londres a Nova York antes da existência de coisas como satélites, smartphones ou cabos de fibra ótica transatlânticos?

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A edição de abril de 1926 da publicação Science and Invention (abaixo) ajuda a ilustrar o processo, detalhando tudo envolvido nos esforços para levar a foto de Londres a Nova York. Como você pode ver na legenda do Laredo Times (acima), a forma como a foto tomou seu caminho através do Atlântico foi tão notável quanto o resgate em si. E os créditos são, em grande parte, a um cabo transatlântico monstruoso.

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Em resumo, foi isso o que aconteceu: após o S.S. President Roosevelt chegar a Plymouth, na Inglaterra, o negativo com a foto foi de avião para Londres. De lá, foi impressa em várias qualidades diferentes, e cada uma delas foi perfurada em uma fita com bobina magnética. O padrão de perfuração foi transmitido de Londres para os Estados Unidos em forma de sinal elétrico, e uma nova fita foi perfurada do outro lado do mundo com o padrão que gerava a imagem. Essa nova fita foi distribuída para jornais americanos imprimirem e colocarem em suas edições.

Um cinejornal mudo também foi produzido e distribuído mostrando imagens do resgate da tripulação do S.S. Antinoe um tempo após a história ser divulgada. Mas esses filmes provavelmente foram entregues da forma antiga – a película foi enviada por trem ou avião em vez de ser transmitida através de um cabo no fundo do oceano.

Hoje em dia, pessoas comuns conseguem enviar fotos apertando apenas um botão, mas qualquer ilustração que detalha todo o processo técnico do compartilhamento de imagens pelo Instagram seria tão envolvente quanto o da imagem acima. Pode parecer instantâneo para nós, mas a natureza distribuída da internet e todo o caminho de pacotes de informação que são divididos e remontados certamente faria uma imagem altamente técnica.

Foto: O S.S. Antinoe em uma foto de 26 de março de 1926 no Laredo Times (Laredo, Texas)

Ilustração: imagem escaneada da edição de abril de 1926 da revista Science and Invention