Andy Rubin, chefão do Android, sentou-se com a imprensa hoje para falar sobre tablets com Android. Desta vez, em 2012, o assunto é mais espinhoso do que no ano passado: se na Mobile World Congress de 2011 vimos tablets e promessas espalhadas por todos os lados, neste ano eles não são mais destaque. E Rubin admite que as vendas não são empolgantes — 12 milhões de aparelhos em 2 anos. No último trimestre, a Apple vendeu 15 milhões de iPads. O que fazer para mudar isso?

No ano passado, HTC, Samsung, LG, Motorola e outras expuseram seus tablets nos principais holofotes da feira. Um ano depois, o que vemos é diferente: pelos corredores da MWC, onde o Pedro está andando neste momento, os destaques são os smartphones. Algo não funcionou como esperado com os tablets. O que aconteceu, Andy Rubin?

“[O número de 12 milhões vendidos em 2 anos] não é insignificante, mas está abaixo do que eu espero se nós realmente queremos ganhar”, ele disse à imprensa. “2012 será o ano que nós dobraremos isso e teremos certeza de que ganharemos neste espaço”. Para Rubin, o problema é que “não há forma organizada para os consumidores reconhecerem [o Android para tablets] como uma plataforma viável”. Isso significa que eles pretendem deixar mais claro aos usuários que um tablet com Android significa usufruir do ecossistema completo do Google. Isso é o bastante?

Rubin sabe que não. O tal ecossistema do Google pode ser interessante por agregar tantos serviços da empresa, mas quando o assunto sai do campo do Google, os tablets com Android sofrem. Dois anos não foram o bastante para criar tração entre os desenvolvedores, e aplicativos marcantes e realmente interessantes são escassos na lojinha específica para tablets. O cenário pouco mudou desde nosso review do Xoom. Porém, Rubin tem uma teoria divergente da Apple neste sentido: para ele, não há necessidade de desenvolvimento específico para tablets, e o trunfo será ter uma plataforma que se expanda para tablets e smartphones. “Basicamente você não deve fazer com que o desenvolvedor faça seu aplicativo duas vezes”.

Os jornalistas estranharam e questionaram Rubin sobre as diferenças entre telas de smartphones e telas de tablets, e o diretor assumiu que os desenvolvedores precisam passar por um “processo de educação” para fazer seus apps para tablets com Android. Mas, no fim, Rubin explicou, indiretamente, um dos motivos para tal filosofia: “eu não posso forçar alguém a fazer um app de tablet (…) [os desenvolvedores] veem o market share”.

Ele prometeu que o Google irá incentivar os desenvolvedores, mas o caminho parece cada vez mais difícil para os tablets com Android: as vendas decepcionaram; há indícios de que o Kindle Fire — que é muito mais um tablet da Amazon do que um tablet com Androidestá roubando espaço dos tablets com o robô, e não do iPad; e ainda deveremos ter novidades sobre tablets com Windows 8 neste ano. Após um 2011 com enorme alarde em relação aos concorrentes do iPad, chegamos em 2012 com um mercado dominado pela Apple — mais de 50 milhões de tablets da empresa já foram vendidos –, pouca empolgação das empresas na maior feira de tecnologia móvel da Europa e um diretor do Android admitindo dificuldades. Para onde o Google deve correr? [The Verge]