O cientista brasileiro Miguel Nicolelis, que promete colocar uma pessoa para voltar a andar na abertura da Copa do Mundo, usou um exoesqueleto para cumprir a meta. E foi duro.

Depois de ter elaborado e construído a estrutura robótica, ele ensinou oito paraplégicos, com idades entre 20 e 40 anos, a operar o exoesqueleto. Apenas um deles deve participar da cerimônia. O treinamento é parte fundamental do processo porque não basta colocar o exoesqueleto e voltar a andar. É preciso que o cérebro entenda que esse esqueleto externo, na tradução literal, precisa se tornar parte do corpo dos pacientes.

Os pacientes usarão uma touca sobre a cabeça. Ela terá 32 eletrodos instalados sobre o couro cabeludo e funcionará com uma tecnologia chamada eletroencefalogrofia (EEG), que permite ler sinais do cérebro sem precisar colocar sensores dentro do crânio. Ela vai ler os comandos enviados pela mente do paciente e enviar para um computador disposto nas costas do exoesqueleto.

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Em seguida, o computador vai traduzir esses sinais em ordens executadas pelo robô. Quando a pessoa mandar o robô andar, ele anda. Tudo é feito com a força do pensamento, lido pela touca, decifrado pelo computador e executado pelos membros mecânicos. Tudo isso já foi testado antes de partidas do Campeonato Paulista deste ano, para checar possíveis interferências de antenas de TV e celulares.

O toque de mestre está nos sensores colocados nos pés da pessoa, como se fossem uma pele artificial. Após o acidente, elas nunca mais sentiram o chão embaixo delas. Com esses sensores, elas voltarão a sentir. Os sensores captam peso, pressão, velocidade e temperatura da pisada e enviam o sinal para eletrodos no braço do paciente. Todo esse conjunto pesa apenas 70 quilos e é movido por uma bateria que dura até duas horas.

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Vamos ver isso tudo em ação em breve. Muito em breve – mais exatamente na quinta-feira, dia 12 de junho, na abertura da Copa do Mundo. Uma pessoa não apenas voltará a sentir o chão embaixo dos seus pés. Fará isso para o mundo inteiro ver, e ainda dará o pontapé inicial do evento. Um golaço da ciência brasileira – vamos agora torcer para que não seja um lance isolado, e sim o primeiro de uma goleada.