Durante o longo inverno de 1975, em Rochester, pesquisadores da Kodak visualizaram o futuro com 25 anos de antecedência. Feito com materiais descartados, a equipe criou a primeira câmera “sem filme” – uma ideia muito além de seu tempo.

Steve Sasson, da Kodak, conta a história com orgulho. O aparelho com visual estranho foi construído com partes dispensadas de uma câmera Super 8, com um sensor CCD experimental, e um gravador de fitas cassete. Sim, um gravador de fita cassete – gravando 23 segundos em uma única imagem composta de apenas 100 linhas de resolução. Para ver cada imagem, a fita tinha que ser colocada em um leitor especial, onde podia ser aumentada e vista em uma TV com imagem em preto e branco.

Sem filme, sem tinta. E muito desconforto para exibi-la em eventos públicos. Quando era preciso demonstrar a máquina fora da Kodak, Sasson recorda ter ouvido frases cruéis: “Por que alguém iria querer algum dia ver suas fotos na TV? Onde você guardaria essas imagens? Como é um álbum de fotos eletrônica? Quando esse tipo de tecnologia chegará aos consumidores?”

O protótipo ficou com Sasson como um prêmio pessoal, mas não antes de receber uma patente e passar por todas as questões burocráticas e internas da Kodak por conta do enorme potencial da bizarra máquina. E qual foi a conclusão da Kodak?

“A câmera descrita nesse relatório representa a demonstração da primeira tentativa de um sistema fotográfico que pode, com a evolução tecnológica, impactar substancialmente o modo com as fotos serão tiradas no futuro.”

Bingo. [Kodak via NY Times]