Para a maioria das pessoas que o conhecem, Max Schrems é um típico estudante de direito na Áustria. Para o Facebook, ele é um pé no saco gigantesco. Superando advogados, bombardeando-os com queixas jurídicas e formando grupos ativistas, ele planeja mudar a política de privacidade do Facebook na Europa.

Enquanto Schrems estava visitando como estudante a Santa Clara University no Vale do Silício, ele ficou chocado com a reação de um advogado do Facebook em relação à severidade das leis de proteção de dados na Europa. Como resultado, ele escreveu uma tese sobre a falta de entendimento das leis de privacidade na União Europeia por parte do Facebook, expondo inúmeros tipos de violações – a proteção de dados é muito mais rigorosa na Europa. Em entrevista para a Forbes, Schrems declarou:

“Ter uma sede na Europa torna o Facebook vulnerável…Isso significa que todos os seus usuários da Europa tem contratos com aquele escritório de Dublin e isso deixa a empresa sujeita à rigorosa lei de privacidade da Irlanda.”

Desde que terminou sua tese, ele formou um grupo ativista chamado Europa vs. Facebook, publicou suas descobertas online, bombardeou o Facebook com queixas jurídicas e solicitou ao Congresso que questionasse a rede social.

Na verdade, ele tem sido um pé no saco tão grande que o Facebook concordou em fazer uma reunião com ele. Na segunda-feira, o Diretor Europeu de políticas do Facebook, Richard Allan, e outro executivo não-identificado do Facebook na Califórnia voaram para Viena para encontrar Schrems. Mas essa não foi uma reunião rápida para dar um fim nessa história: foi uma esgotante discussão jurídica de seis horas.

Schreams e seu grupo ativista publicaram uma declaração sobre o encontro, na qual dizem que ele permitiu esclarecer a posição do Facebook em relação à política de privacidade na Europa. Schrems não está satisfeito.

“Nós estamos ainda mais confiantes que o Facebook está re-interpretando essa lei em vários aspectos que não são tão rigorosos ou que não estão de acordo com a jurisprudência do Tribunal de Justiça Europeu.”

Schrems insiste que a política do Facebook de “consentimento presumido” não deveria ser permitida, e que eles deveriam administrar o site em uma base opt-in ao invés de opt-out. O fato que o Facebook estava disposto a dedicar seis horas às preocupações de Schrems e concordou em pesquisar as questões levantadas no encontro e encaminhar seus dados, sugere que eles estão levando-o a sério. Quão longe esse cara pode chegar? [ForbesZDNet; Imagem: Getty]