Reduções moderadas nas taxas de vacinação contra o sarampo entre as crianças dos Estados Unidos deverão produzir um número excessivo de novos casos da doença, ao mesmo tempo em que aumentam as despesas anuais de saúde pública em pelo menos US$ 2,1 milhões, de acordo com novas pesquisas.

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“Acho que nosso estudo é um alerta para o que podemos esperar nos próximos meses e anos, já que as taxas de cobertura da vacina continuam a diminuir…”

Usando modelos de computador, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford e da Baylor College of Medicine mostraram que uma redução de 5% nas vacinas contra o sarampo entre crianças entre as idades de dois a 11 anos triplicaria o número de casos anuais de sarampo nesse grupo. Além disso, os custos de saúde pública associados ficariam acima de US$ 2,1 milhões, ou US$ 20,000 por caso de sarampo. Essas descobertas preocupantes foram publicadas hoje no periódico JAMA Pediatrics.

“Nós nos concentramos no sarampo como um exemplo de caso dos efeitos da redução da cobertura da vacina porque é altamente infeccioso”, disse o principal autor do estudo, Nathan Lo, de Stanford, em um comunicado. “É provável que seja a primeira doença infecciosa que causa surtos se a vacinação diminuir.”

Sem dúvida. Várias regiões nos Estados Unidos estão atualmente flertando com o limiar de cobertura de vacinação de 90% a 95% exigido para evitar surtos de sarampo, um nível de proteção a nível de grupo conhecido como imunidade de rebanho. Com as taxas rotineiras de vacinação da infância em declínio em algumas partes dos Estados Unidos, há um risco aumentado de surtos isolados, como o que atingiu uma comunidade Amish em 2014. O novo estudo prevê um aumento acentuado do sarampo em certas comunidades caso as taxas de vacinação diminuam ainda mais.

“Acho que o nosso estudo é um alerta para o que podemos esperar nos próximos meses e anos, já que as taxas de cobertura de vacinas continuam a diminuir nos 18 estados que agora permitem exceções por crenças não-médicas ou filosóficas”, disse o coautor do estudo Peter Hotez.

O sarampo, que começa com febre, tosse e dor de garganta, é um vírus altamente contagioso que se espalha pelo ar. Complicações comuns incluem infecções na orelha e diarreia, mas cerca de uma em cada 20 crianças que contraem a doença sofre pneumonia, a causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas, de acordo com os Centros para o Controle de Doenças dos EUA (CDC). As vacinas foram amplamente bem-sucedidas na supressão do sarampo no país, mas algumas dezenas a centenas de casos ocorrem a cada ano, geralmente quando os cidadãos não vacinados viajam para o exterior e, sem saber, trazem o vírus de volta com eles.

Atualmente, todos os 50 estados dos Estados Unidos exigem a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) e outras vacinas antes de matricular uma criança na creche da escola primária. Apenas três estados permitem que os pais recusem as vacinas por razões religiosas, e, como observado, 18 estados dispõem de exceções para crenças pessoais. Crianças menores de um ano não podem ser vacinadas, tornando-as particularmente vulneráveis à doença.

Para o estudo, Lo e seus colegas analisaram os dados de vacinação de sarampo, caxumba e rubéola (MMR, na sigla em inglês que designa as três doenças) fornecidos pelo CDC. Eles construíram um modelo matemático para prever os efeitos da diminuição das taxas de vacinação em crianças de dois a 11 anos. Cerca de 10 mil cenários foram executados por meio do modelo, todos eles iniciados por hipotéticos viajantes que retornaram para diferentes locais no país.

Os pesquisadores disseram que seus números são conservadores e que seu modelo de sarampo não inclui outras doenças infecciosas que provavelmente surgirão com menor cobertura de vacinação (por exemplo, caxumba, coqueluche etc). Além disso, os pesquisadores não explicaram a disseminação da doença entre outras faixas etárias. Por fim, eles usaram o menor nível possível de infecciosidade que é razoável para o sarampo. Apesar desta abordagem conservadora, a doença ainda previu consequências médicas substanciais e relacionadas à saúde da chamada “hesitação da vacina”.

“Todos os anos, um número crescente de estados está debatendo dispensas não médicas, que são um motor crítico da cobertura de vacinação”, disse Lo. “Esse estudo quantifica as consequências de um aumento nos casos de sarampo e os dólares estatais que serão gastos se existirem exceções de crenças pessoais que possam reduzir a cobertura da vacina.”

Pelos próprios filhos e pela comunidade, é bom que os pais continuem imunizando seus pequenos.

[JAMA Pediatrics]

Imagem do topo: Getty