Na nossa eventual utopia feminista, o controle de natalidade estará disponível em máquinas automáticas, parques aquáticos e até no vendedor de tampões íntimos e batom nos banheiros de cinemas. Mas, infelizmente, obter contraceptivo oral hoje em dia nos EUA é tanto caro quanto enigmático, especialmente se você é jovem e sem seguro de saúde. Atualmente, nos Estados Unidos, 47 estados e o Distrito de Columbia requerem uma receita médica para conseguir a pílula. Problemas de acesso provavelmente vão piorar muito quando o Affordable Care Act for derrubado e substituído por qualquer absurdo frankensteiniano que Paul Ryan inventar durante sua hora de almoço.

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Mas uma nova pesquisa feita por especialistas em saúde de verdade, não políticos, defende que o controle de natalidade deve ser acessível sem receita médica em todo o território norte-americano, e para qualquer um que precisar, incluindo adolescentes.

Apesar do fato de que em 2006, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o contraceptivo de emergência, a pílula do dia seguinte, para vendas sem receita para pessoas de 18 anos para cima, muito pouco tem sido feito para assegurar o mesmo para pílulas contraceptivas hormonais. Em janeiro de 2016, o estado de Oregon foi o primeiro a permitir que farmacêuticos administrassem pílulas de controle de natalidade para um paciente por até três anos seguidos. Em abril do mesmo ano, a Califórnia seguiu o mesmo caminho, mas, diferentemente de Oregon, onde os pacientes precisam ter 17 anos de idade para pedir as pílulas, não havia limite de idade. Somente em fevereiro passado, o Colorado virou o terceiro estado a aprovar medidas similares, aprovando uma lei quase idêntica à de Oregon.

Ainda assim, três de 50 estados é bem vergonhoso, considerando que estamos em 2017 e ainda estamos discutindo algo que tem poucos lados negativos a não ser o fato de poder incomodar alguns republicanos.

Finalmente, uma nova pesquisa do Johns Hopkins Medicine testa ainda mais os críticos. O time de pesquisadores revisou quantidades imensas de dados de adolescentes que tomam contraceptivos orais e descobriu que são absurdamente capazes de tomar a pílula responsavelmente. Na verdade, muitas já estão. Portanto, o time recomenda fortemente que pílulas de controle de natalidade virem remédios sem prescrição para adolescente e adultos. As descobertas da pesquisa foram publicadas em 14 de março no Journal of Adolescent Health.

“Nós tentamos rever a prova científica e listar os benefícios da decisão [de fazer a pílula disponível sem prescrição]”, disse o coautor do estudo e professor da Universidade de Columbia, John S. Santelli, ao Gizmodo. “O resultado da pesquisa é que nós achamos que as adolescentes são capazes de tomar a pílula corretamente. Nós recomendamos fortemente que não existam restrições de idade para quando alguém pode comprar contraceptivos orais.”

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Imagem: Wikimedia Commons

A pílula é o método de contracepção hormonal mais usado nos EUA de acordo com a Pesquisa Nacional de Crescimento Familiar de 2011 – 2013. Naturalmente, conforme o acesso ao controle de natalidade aumenta, o risco de gravidez indesejada diminui. De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), pela contracepção ter se tornado mais acessível, adolescentes nos EUA alcançaram uma baixa histórica de 22,3 nascimentos vivos por 1.000 mulheres com idades entre 15 e 19 anos em 2015.

“Qualquer coisa que possamos fazer para aumentar o acesso à contracepção vai aumentar o uso”, Santelli disse. “Mas existem muitas barreiras: pessoas esquecem de renovar suas receitas, elas relutam de ir ao médico porque nunca vão ao médico, elas não têm dinheiro para uma consulta médica. Existem muitas razões para as pessoas não tomarem contraceptivos… Então é de fato qualquer coisa que possamos fazer para facilitar para elas.”

Mas é claro, existem outras barreiras que são mais difíceis de mudar. Um número preocupante de políticos, incluindo republicanos na Casa Branca e no Senado, como Mitch McConnell and Marco Rubio, já se colocaram publicamente contra o controle de natalidade, citando “razões morais”. Isso é, em parte, porque o controle de natalidade não está disponível facilmente em farmácias do país inteiro.

“Existem todos os tipos de barreiras em fazer algo como tornar o controle de natalidade mais acessível”, Santelli explicou. “Eu acho francamente que alguns deles são religiosos e francamente conservadores, problemas construídos. Algumas pessoas não acreditam que pessoas solteiras devem ter acesso à contracepção, e muita gente acha que adolescentes não devem fazer sexo. Mas eu acho que a maioria das pessoas concordaria que se os adolescentes estão fazendo sexo, eles devem se proteger.”

“Eu não consigo pensar em uma forma mais fácil de prevenir gravidez indesejada do que dar às jovens mulheres o controle total sobre seus corpos.”

Depois de revisar décadas de literatura e estudos sobre comportamento sexual adolescente, o time concluiu que as jovens são bem responsáveis quando se trata de tomar sua pílula em dia. Também, ao contrário do que algumas pessoas acham, adolescentes não engajaram comportamento sexual de risco após tomar o controle de natalidade hormonal. Em geral, os pesquisadores defendem que as pílulas são tão seguras quanto outros remédios sem receita e devem estar disponíveis para quem quiser comprar, não importando a idade. Santelli disse que em um cenário de uma adolescente tentando comprar pílulas de controle de natalidade, os farmacêuticos recomendariam às adolescentes tomar a pílula consistentemente, e como observar os efeitos colaterais, que não são comuns, mas sempre possíveis no controle de natalidade hormonal.

Para os moralistas ainda perturbados com adolescentes se protegendo de gravidezes indesejadas, pense nisso: não é o seu corpo que está em questão.

“Muito das garotas adolescentes não tomarem a pílula vem de não saber onde ou como conseguir, ou ter que, eca, falar com seus pais sobre começar a tomar”, a jornalista de ciência Shannon Stirone, que tem tomado pílulas de controle de natalidade desde os 17 anos, disse ao Gizmodo. “Eu não consigo pensar em uma maneira mais fácil de prevenir a gravidez indesejada do que dar às mulheres o controle total de seus corpos.”

[Journal of Adolescent Health]