Pesquisadores de Harvard descobriram um manuscrito em pergaminho da Declaração de Independência Americana em um pequeno arquivo de escritório no Reino Unido. Apenas a segunda cópia em pergaminho que se tem conhecimento, ela contém diversas características que a marcam como diferente da original.

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Em agosto de 2015, Emily Sneff, pesquisadora do Declaration Resources Project, estava vasculhando o banco de dados de cada exemplo conhecido da Declaração de Independência quando um item apareceu com a descrição: “Cópia manuscrita, em pergaminho, da Declaração em Congresso dos treze Estados Unidos da América”.

Sneff não pensou muito a respeito na época, achando que provavelmente era um erro de catalogação e era provavelmente uma das muitas cópias da Declaração feitas durante o século XIX. Mesmo assim, ela contatou o escritório West Sussex Record, no Reino Unido, onde o manuscrito estava guardado, para ter certeza. Quando ela recebeu um disco com fotos do documento, Sneff percebeu que não era uma cópia qualquer, então ela recrutou sua colega Danielle Allen para dar uma checada.

Quase dois anos depois, o time concluiu que o documento, conhecido como a Declaração de Sussex, é uma cópia autêntica da Declaração de Independência manuscrita em pergaminho em algum ponto durante os anos 1780. A única outra versão em pergaminho é a Declaração Matlack, que é mantida nos Arquivos Nacionais. Existem outras cópias manuscritas da Declaração, mas nessas versões o texto foi escrito em papel em tamanho de carta para circulação privada. Essas descobertas devem aparecer em uma versão seguinte da publicação Papers of the Bibliographical Society of America.

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Detalhe da lista de signatários da Declaração de Sussex. (Imagem: West Sussex Record Office Add Mss 8981.)

O manuscrito recém-descoberto é do mesmo tamanho que o original, 24 por 30 polegadas (aproximadamente 60 x 76 cm), mas é organizado horizontalmente ao invés de verticalmente. A lista de signatários está em ordem alterada, o nome de John Hancock não está em primeiro. Estranhamente, vários nomes têm a grafia errada. Também existe uma mancha no topo que parece um tipo de rasura. O texto contém muito pouca pontuação, e o estilo de letra não é algum que os pesquisadores tenham visto antes. Outras características interessantes incluem margens, traços decorativos ao redor do título, evidência de buracos de prego e letra de mão justificada e arredondada.

Sneff e Allen dizem que o documento provavelmente foi encomendado por James Wilson, da Pennsylvania, um signatário da Declaração e contribuidor da constituição dos Estados Unidos. Provas também sugerem que o pergaminho foi propriedade de Charles Lennox, o Terceiro Duque de Richmond. Conhecido como o “Duque Radical”, Lennox foi um ávido anti-colonialista e apoiador da independência americana. O manuscrito provavelmente foi produzido ou na cidade de Nova York ou na Filadélfia e então enviado através do Atlântico para o duque.

Como a Declaração Matlack de 1776, o manuscrito de Sussex foi escrito em tamanho exagerado. Como a New York Historical Society explica, “ele mostra um documento escrito em uma letra de mão formal e clara, feito para ser a cópia autorizada”. O documento foi produzido na década de 1780, a partir da versão original da Revolução Americana. Também foi escrito durante uma época de incertezas financeira e política, feito para mandar uma mensagem. De acordo, Sneff e Allen acreditam que a ordem das assinaturas foi ajustada por um motivo muito bom.

Como o Harvard Gazette relata:

Na maioria dos documentos da era, Allen disse, o protocolo era para os membros de cada delegação de estado assinarem juntos, com assinaturas tipicamente indo de cima para baixo na página ou indo da esquerda para a direita, com os nomes dos estados marcando cada grupo. Uma exceção foi feita para um pequeno número de documentos particularmente importantes, incluindo a Declaração, que foi assinada da direita para a esquerda e que omitia os nomes dos estados, apesar dos nomes ainda estarem agrupados por estado.

“Mas a Declaração de Sussex mistura os nomes para que eles não sejam mais agrupados por estado”, Allen disse. “É a única versão da Declaração que faz isso, com a exceção de uma gravura de 1836 que deriva dela. Isso é um jeito muito simbólico de dizer que somos todos um povo, ou ‘uma comunidade’ para citar James Wilson.”

Em outras palavras, essa versão da Declaração foi uma expressão da unidade e da coesão americanas.

Projetando à frente, Sneff e Allen gostariam de aprender mais sobre Charles Lennox e como ele conseguiu esse documento. Elas também estão planejando trabalhar com um time de imagem espectral para ver se conseguem ler algum do texto que foi raspado do topo do documento.

[Papers of the Bibliographical Society of America]

Imagem do topo: West Sussex Record Office Add Mss 898