Tecnologia de foguetes não é o único ponto fraco do reinado stalinista e fechado que é a Coreia do Norte: eles também não investem muito em webdesign.

A República Democrática Popular da Coreia tem uma página oficial em inglês cheia de Flash, para instruir os curiosos sobre as peculiaridades da ideologia Juche, versão norte-coreana do marxismo-leninismo: “os mestres da revolução e construção são as massas do povo e que eles também são a força-motriz da revolução e construção”. Nada mal: o site é funcional e elegante, e com certeza é um passo à frente do webdesign de Geocities que tem sua agência oficial de notícias.

Mas, pelo visto, é um webdesign amador. A Coreia do Norte está usando um template que custa US$15, ou cerca de R$28.

Quem der uma olhada no código-fonte e procurar a palavra “envatowebdesign” encontra as instruções de quem vendeu o tema ensinando como customizá-lo. Só que quem comprou o template para Pyongyang nem ligou para isso. É como deixar a camada de plástico na sua TV novinha. Bastou checar o código-fonte do template “Blender” da IgniteThemes para confirmar que a Coreia do Norte o usa. Preço? 15 obamas.

Não é exatamente uma presença na web que diz: “Somos uma potência nuclear de elite e queremos respeito!” Na verdade, bastaram alguns minutos para um universitário de ciência da computação na Fordham University para descobrir a origem vergonhosa do webdesign.

Em seu terceiro ano na Fordham, na disciplina de ciência política e história da Coreia, Michael DiTanna recebeu a tarefa de navegar pela mídia oficial da Coreia do Norte e analisar seu conteúdo. Ele foi direto para a página oficial na web – e decidiu dar uma olhada no código-fonte.

“Imediatamente depois de visitar o site, eu percebi que ele usa alguns elementos web comuns de código aberto – especificamente o banner principal de imagem”, diz DiTanna ao Danger Room. Notar o marcador envatowebdesign “entregou a fonte do template”. Foram alguns poucos passos até ele localizar o template correto e descobrir seu preço. Na verdade, foram só 15 minutos – um para cada dólar cobrado pelo template favorito da Coreia do Norte.

“Eu tive que apresentar isso em classe, e todo mundo ficou bem chocado”, disse DiTanna via e-mail.

O website da Coreia do Norte pode ser tão amador como sua consistente incapacidade em lançar um satélite ao espaço. Mas pode haver alguma sabedoria em limitar recursos gastos na internet: Pyongyang terá que lidar com mais uma rodada de sanções internacionais depois do lançamento malfadado da semana passada.

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