Uma nova análise de um fóssil danificado, encontrado há cerca de 150 anos, revela a existência de um verdadeiro monstro dos mares antigos. E a descoberta da nova espécie, chamada de Monstro de Melksham, mostra que um extinto grupo de répteis apareceu na Terra milhões de anos antes do que se acreditava.

Conheça Leldraan melkshamensis, um crocodilo marinho de 3 metros de comprimento que viveu há 163 milhões de anos durante o Jurássico Médio. Ele não é apenas uma nova espécie de crocodilo ancião, mas também a representação de um novo gênero de répteis extintos.

Crocodilos modernos não são descendentes diretos destas monstruosidades, mas eles compartilham um ancestral comum. A nova espécie, como descrita no Journal of Systematic Palaeontology, possuía longos e fortes maxilares, e grandes dentes serrados que provavelmente eram usados para mastigar presas diversas, incluindo algumas lulas pré-históricas. Leldraan melkshamensis, que vagava pelos quentes e rasos mares da Europa, seria um dos maiores predadores aquáticos da Grã-Bretanha Jurássica. Seu apelido, o “Monstro de Melksham”, vem da cidade inglesa em que ele foi encontrado.

Estas descobertas foram feitas em um fóssil muito danificado que foi descoberto em 1875 na formação sedimentar de Oxford. Uma equipe de pesquisa liderada por Davide Foffa, um estudante de PhD na Universidade de Edinburgh, foi capaz de identificar a nova espécie analisando o crânio, maxilar inferior e dentes do fóssil.

Imagem: D. Foffa et al., 2017

“Não é o fóssil mais bonito do mundo, mas o Monstro de Melksham nos conta uma história muito importante sobre a evolução destes crocodilos anciãos, e como eles se tornaram o principal predador do próprio ecossistema”, diz Foffa em um comunicado à imprensa. “Sem o incrível trabalho de preparação feito por nossos colaboradores do Museu de História Natural, não seria possível identificar a anatomia deste desafiante espécime”.

Inclusive, retirá-lo da rocha foi um tremendo trabalho. O fóssil estava completamente envelopado por uma pedra muito dura, com veias de carbonato de cálcio que atravessavam toda a sua superfície. A equipe de preparação, liderada por Mark Graham do Museu de História Natural, teve que remover estes minerais a força usando talhadeiras de aço de carbono e rodas de trituração equipadas com diamante industrial. Foram necessárias várias horas e semanas e um cuidado considerável para evitar que os pedaços expostos do fóssil fossem danificados.

“Este foi um crocodilo durão tanto na vida quanto na morte”, disse Graham.

[Journal of Systematic Palaeontology]

Imagem de topo: Fabio Manucci