O entendimento comum do diabetes inclui dois tipos: tipo 1 e tipo 2. Mas existe um terceiro tipo que você talvez não conheça – e alguns médicos acham que ele vem sendo diagnosticado incorretamente.

Diabetes tipo 3C, ou “Diabetes do pâncreas exócrino”, é um terceiro tipo causado por danos pancreáticos. Mas um recente estudo alerta que médicos diagnosticam essa forma de diabetes como tipo 2, e cada tipo requer um tratamento diferente.

“Diversas medicações usadas para o diabetes tipo 2, como gliclazida, podem não ser eficientes contra o diabetes tipo 3”, escreve Andrew McGovern, da Universidade de Surry, no The Conversation. “O diagnóstico incorreto, portanto, gasta tempo e dinheiro na tentativa de um tratamento ineficaz, além de expor o paciente a altos níveis de açúcar no sangue”.

Cientistas reconhecem há muito tempo outros tipos de diabetes além do tipo 1 (o corpo destrói as próprias células que produzem insulina) ou tipo 2 (o corpo não consegue produzir insulina o suficiente). Em 2008, pesquisadores alertaram que o tipo 3C não era diagnosticado o suficiente ou era mal diagnosticado. Um novo estudo, publicado recentemente no periódico Diabetes Care, traz novas evidências com que nos preocuparmos depois de uma avaliação de milhares de registros médicos do Reino Unido.

Os pesquisadores encontraram mais de 30 mil adultos com casos de diabetes, dos quais 559 ocorreram depois de terem pancreatite. Apesar da conexão entre pancreatite e diabetes tipo 3C, 88% destes casos foram diagnosticados com o tipo mais comum de diabetes entre os adultos, diabetes tipo 2, e apenas 3% foram diagnosticados com o tipo 3C – sugerindo pelo menos algum nível de diagnósticos incorretos. Pacientes com diabetes seguido da pancreatite geralmente possuíam um controle pior sobre os níveis de açúcar no sangue e precisavam de quantidades maiores de insulina.

Obviamente, esse é um estudo de observação baseado em hipóteses, desta forma não há prova do diagnóstico incorreto. Além disso, os diagnósticos do diabetes tipo 3 constituíram uma pequena porção dos casos adultos, apesar de serem mais comuns que o tipo 1. Os resultados preocuparam McGovern. “Nossas descobertas enfatizam a urgente necessidade de um melhor reconhecimento e diagnóstico deste surpreendente tipo comum de diabetes”, escreveu.

A falta de reconhecimento é clara. Apesar de publicar a pesquisa em um de seus periódicos, a Associação Americana de Diabetes não menciona outros tipos além do 1, 2 e diabetes associada à gravidez em seu site. Eles também não retornaram nossos contatos. A Diabetes UK, associação de diabetes do Reino Unido, menciona outros tipos, mas não casos específicos que surgem após uma pancreatite. Ainda assim, “é essencial que todas as pessoas com diabetes recebam o diagnóstico correto, para que possam acessar o cuidado e tratamento adequados para administrar efetivamente a condição, reduzindo o risco de complicações”, diz Douglas Twenefour, chefe suplente de cuidados do Diabetes UK.

E o que isso significa para você? Bem, se você suspeita ter recebido um diagnóstico incorreto, talvez mostre ao seu médico o artigo de McGovern. Ele escreveu: “Identificar corretamente o tipo de diabetes é importante já que ajuda a selecionar o tratamento correto”.

[Diabetes Care via The Conversation]

Imagem de topo: John Campbell/Flickr