Os pesquisadores querem mesmo fazer bons displays tridimensionais. É muito mais difícil do que você pode pensar — neste momento, temos vários deles, mas maioria das tentativas são literalmente fumaça (projetada a luz e espalhada em algum meio) e espelhos (ilusões óticas). Não há muitos exemplos de voxels, pixels 3D, alinhados para criar uma imagem sobre a qual você possa caminhar e ver claramente de todos os cantos.

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Uma equipe japonesa lançou um interessante mas rudimentar estudo de prova de conceito para o seu próprio “display volumétrico”, como chamam, usando lasers projetados em uma coluna de líquido. Basicamente, o time espera criar uma projeção 3D atualizável visível de todos os ângulos, para colocar à mostra em um museu ou aquário.

“Desenvolver um display volumétrico do tipo que vemos em filmes de ficção científica é um sonho que nós, pesquisadores de display, temos”, escreveu Kota Kumagai, pesquisador do Centro de Pesquisa e Educação Óptica da Universidade de Utsunomiya, no Japão, ao Gizmodo, por email. “Acho que vai levar vários anos até que possamos ver como em um filme de ficção científica.”

E Kumagai realmente quer criar um display 3D funcional. Ele e sua equipe bolaram um protótipo — um laser se espalhando de uma pilha de telas fluorescentes — em 2015, por exemplo.

Sua ideia mais recente veio após a tentativa de construir uma tela de líquido fluorescente que se acendia. Kumagai e seus colaboradores perceberam que aumentar a energia do laser criava bolhas no fluido. Sua nova tela usa uma coluna de líquido viscoso, neste caso a glicerina, para que as bolhas fiquem no lugar e se tornem voxels. Uma luz brilhava nesses voxels, espalhando-se para se tornar a imagem. Os pesquisadores usaram esse método para criar imagens de uma sereia, um golfinho e um coelho no líquido e publicaram os resultados no periódico Optica, nesta quinta-feira (23).

Quando dizemos que esse display é uma “prova de conceito”, falamos sério. A tela apenas cria pequenos gráficos, e, embora a equipe diga que consiga criar imagens cheias de cores, tudo o que foi apresentado no estudo tinha apenas uma cor. Além disso, esse display não é de vídeo — a imagem criada é sem movimento. Uma versão atualizável exigiria uma corrente de líquido para mover ou estourar as bolhas. Essencialmente, seria como uma versão atualizável dessas gravuras de óculos 3D que você pode comprar em lojas de souvenires para turistas, mas com uma cuba de glicerina e lasers. Há vários jeitos melhores de se criar uma imagem fixa 3D… como uma escultura.

imagem-3dImagem: Kumagai et al

Para que se dar o trabalho de criar um display como esse quando temos tantas outras ideias para telas 3D? Bom, cada tela parece ter uma desvantagem que não a torna verdadeiramente volumétrica, ou que sacrifica os detalhes. Isso faz muito sentido. Como você pode fazer uma tela opaca o bastante para que você não consiga ver através de um voxel, mas transparente o bastante para que consiga ver por meio da tela? Como você evita um raio de luz em uma localização precisa, mas muda a localização ao longo de vários frames, para criar um filme?

As imagens resultantes frequentemente têm voxels obviamente visíveis e parecem uma imagem feita de vários pontos. Outras são apenas tridimensionais a partir de um certo ponto de vista, como algumas televisões 3D. Há outras mais espessas que exigem vários projetores ou telas com formatos estranhos. Algumas são ofuscadas e usam pilhas de telas com um projetor, como a tela de milhares de dólares Volume, ou a tela que Kumagai fez em 2015. A tela atual de Kumagai é meio que um combinação, voxels feitos com um laser do qual a luz se espalha. Entramos em contato com vários cientistas para ver se havia alguma outra desvantagem de que devêssemos estar cientes.

Então, será que as microbolhas serão o futuro dos displays volumétricos? Talvez! Baseado no método de que a tela precisa ser atualizada, provavelmente só será usado para projetar imagens singulares, em vez de vídeos. Mas se a equipe de Kumagai descobrir um jeito de transformar essas cubas iluminadas de glicerina em imagens de alta definição que podem ser atualizadas com uma corrente de fluido, eles podem aparecer em espaços públicos no futuro. Certamente, é uma ideia maluca.

[Optica]