Se você já tentou fazer dieta, sabe que conselhos sobre como perder peso são geralmente confusos, conflitantes e podem mudar de uma hora para outra. Será que você deve cortar comidas com quantidades elevadas de gordura da dieta? Ou carboidratos? Talvez seria melhor se você substituísse o prazer de comer por shakes?

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Muitas companhias de testes pessoais de DNA prometem eliminar todos esses problemas do regime com aconselhamento personalizado. Dietas diferentes para pessoas diferentes, e, pensando assim, nossa genética pode prover importantes informações sobre o que funciona para cada um de nós.

Mas, de acordo com uma nova pesquisa publicada nessa terça-feira (20) no Journal of the American Medical Association, o segredo para uma dieta de sucesso não está criptografado no nosso código genético. Ou ainda precisa ser decifrado de uma maneira que possa ser útil para nós.

Cientistas na Stanford trabalharam com 609 adultos com sobrepeso, aleatoriamente atribuindo a eles uma dieta saudável com poucas quantidades de gordura ou uma dieta saudável com poucas quantidades de carboidratos, e então os reavaliaram um ano depois. Os pesquisadores procuraram por fatores biológicos como a genética e níveis de secreção de insulina, buscando por pistas de como estes fatores influenciavam quantos quilos um participante do teste conseguiu perder. O resultado? A composição genética de alguém não pareceu influenciar na perda de peso, indiferente da dieta aplicada. Além disso, nenhuma das duas dietas pareceu fazer muita diferença. Nem os níveis de secreção de insulina.

A ascensão dos testes de DNA pessoal fez surgir dúzias de testes cujo propósito é fornecer aos consumidores informações precisas do que comer e como se exercitar para adquirir uma saúde melhor. Estes serviços, no entanto, são geralmente falsos e exagerados, um deles, por exemplo, se baseia em uma pesquisa efetuada em apenas 68 homens não fumantes que afirma que ao beberam 750 ml de suco de maça por dia eles conseguiram perder mais gordura.

Os seus genes certamente são parte do que determina o seu peso. E ainda é possível que um dia a nossa genética possa providenciar informações sobre qual dieta será o ideal para cada tipo de pessoa. Em 2016, um grupo sobre obesidade dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla em inglês) pediu por mais ênfase no que é chamado de “emagrecimento exato” por técnicas como análise genética para melhorar o sucesso das dietas. Em janeiro deste ano, a firma de testes de DNA 23andMe iniciou um enorme estudo sobre perda de peso. Os testes visam testar 100 mil pessoas da sua base de dados de mais de um milhão de consumidores da companhia, colocando-os em diferentes dietas e programas de exercício, e procurar por ligações genéticas que expliquem porque eles foram bem-sucedidos ou não, dependendo do resultado.

A natureza probabilística do nossa DNA significa que qualquer conselho de dieta que possamos seguir será muito abrangente. Mas é evidente que em algum lugar escondido do nossa DNA existe algum tipo de informação útil de como perder peso, ou de como mantê-lo. Um dia, isso pode significar que o seu DNA vai dizer se você deve seguir uma dieta com menos gordura ou uma com menos carboidratos, por exemplo.

No entanto, este é um dia que parece estar bem longe. Mais de 150 variantes genéticas associadas ao peso já foram identificadas. Um número muito menor de genes também já foi associado com mudança de peso. Um melhor entendimento destes genes e como eles interagem na regulação do nosso peso é provavelmente necessário antes de médicos começarem a prescrever dietas baseadas no nosso DNA.

Imagem de topo: National Human Genome Research Institute