A promessa da terapia genética tem o potencial de limitar drasticamente o impacto de doenças ao alterar a forma como as células são feitas para lutar contra invasores mortais. Se utilizada recreativamente, no entanto, a terapia genética poderia também expandir os limites físicos da força e resistência humana. Como esteróides de alta tecnologia, a terapia genética poderia ser uma nova maneira para que os atletas se dopem.

• Os detalhes da primeira edição genética de embriões humanos nos EUA
• Cientistas apontam mais obstáculos para a edição genética da natureza

Com a esperança de limitar de antemão as consequências da engenharia genética nos esportes, a Agência Mundial Anti-Doping adicionou oficialmente a engenharia genética na sua lista negra de substâncias e métodos banidos, no começo deste mês. A partir do ano que vem, a lista atualizada irá incluir “agentes de edição de gene feitos para alterar as sequências de genomas e/ou a regulação da expressão genética por transcrição ou epigenética”.

“A tecnologia de edição de gene avançou de forma impressionante nos últimos anos”, disse a WADA, uma agência internacional independente que influencia as políticas anti-doping nas Olimpíadas e em nações ao redor do mundo, ao Gizmodo, em um comunicado. “Isso fez com que a WADA começasse a avaliar a possibilidade de mal uso da edição genética para o doping e, como consequência, incluímos essas tecnologias na definição de Doping Genético”.

Por anos, pesquisadores e autoridades esportivas vêm questionando como o avanço da ciência pode impactar o esporte. Faz sentido. Avanços na tecnologia já são utilizados para ajudar a dar aos atletas uma vantagem de milisegundos sobre seus concorrentes. Às vezes, essa tecnologia é de natureza biomédica. O Golden State Warriors da NBA, por exemplo, entrou no radar da mídia por possivelmente se valer de uma terapia pseudocientífica de choques cerebrais para ganhar em desempenho.

Não existem casos confirmados de doping genético em esportes até agora, mas a possibilidade está no radar da WADA há um bom tempo. Em 2003, a agência baniu oficialmente o “doping genético”. A atualização expande essa proibição para incluir qualquer forma de edição genética, acabando com a possibilidade de qualquer uso justificado de tais tecnologias médicas no esporte, mesmo que um dia elas se tornam mais comuns em outras áreas de nossas vidas.

“Apesar das afirmações sensacionalistas e cientificamente infundadas vistas na mídia ocasionalmente, a WADA não está ciente de nenhum atleta que tenha realizado doping genético”, disse a agência por email. “Todavia, queremos estar a frente do jogo e tornar claro que quando ou se essas técnicas, como a edição genética, começarem a ser utilizadas para aumentar a performance além das funções normais, ela serão proibidas”.

Não está claro, no entanto, como a WADA irá aplicar essas regras. Há mais de uma década, a agência começou a procurar uma maneira de detectar o doping genético entre os atletas. No ano passado, o Comitê Olímpico Internacional anunciou que os atletas competindo no Rio de Janeiro seriam testados para verificar a presença de cópias de um gene que produz um hormônio chamado EPO, que simula a produção de glóbulos vermelhos no sangue para aumentar a resistência. Nenhum resultado foi anunciado, mas alterações tão pequenas podem ser difíceis de se detectar.

A agência se recusou a oferecer detalhes sobre como planeja fazer essas novas regras se cumprirem.

“Neste momento, a WADA está seguindo de perto os desenvolvimentos nesta área para definir a melhor técnica para a detecção de edição de genes para quando forem utilizados para um método de doping”, disse a agência.

Imagem do topo: AP