O Consumer Preview do Windows 8 é realmente sensacional. Mas eu tenho a enorme suspeita de que quando ele realmente chega às máquinas, ele será um trambolho. Tudo isso porque o pessoal que faz as máquinas onde ele será instalado o entupirá de entulho.

Quando você compra um novo PC, antes de ele chegar em suas mãos, o fabricante instala o Windows. E durante o processo, eles costumam instalar um monte de programas desnecessários também, porque os fabricantes de software os pagam para fazer isso. Isso ajuda a baratear os custos, e você pode enxergá-los como publicidade subsidiando seu hardware. O problema é que eles normalmente diminuem bastante a performance geral.

Eu estou usando uma máquina de teste da Microsoft faz alguns dias, e está tudo ótimo. Mas fiquei curioso para ver como a experiência seria em minha máquina pessoal. Então eu instalei o sistema em meu notebook Pavillion, da HP. No fim, eu amei o sistema lá também.

Mas eu percebi que uma das razões por eu estar gostando tanto do sistema é que nenhuma das máquinas está entupida de lixo que só estão lá porque um mané de Palo Alto fechou um contrato com a Symantec ou com a Roxio ou com algum jogo que ninguém está nem aí e que ninguém nunca instalaria em sua própria máquina. Isso significa que meu notebook velho e barato funciona melhor com um novo sistema operacional porque ele não tem um milhão de coisas desnecessárias rodando de fundo. Uma das minhas últimas memórias do Windows 7 no Pavillion foi esse banner que pulou me lembrando que sem Os Nortons, eu seria engolido por um monstro horrível, ou algo do tipo:

Foi um adeus marcante.

Eu não quero destacar a HP. Praticamente toda grande fabricante de computadores enche o Windows com um monte de crapware. Durante a CES, uma das coisas que a Vizio fez questão de destacar sobre seus all-in-ones e ultrabooks é que eles vinham com versões “limpas” do Windows. Pense nisso: a Vizio citou o que ela não tem como destaque. A Dell já fez algo semelhante no passado. E a Sony chegou ao ponto de tentar cobrar US$50 a mais para não instalar um monte de besteira em seus novos computadores.

Não que isso seja novidade para qualquer usuário antigo de Windows. Eu não lembro se minha versão do Windows 3.1 veio cheia de trialwares malditos, mas eu lembro bem que minha máquina seguinte, com Windows 95, e as outras que eu comprei em sequência pareciam o orelhão aqui perto de casa, cheio de adesivos duvidosos. Normalmente uma das primeiras coisas que eu fazia quando pegava uma máquina nova era desinstalar o máximo possível de crapware. E eu sei muito bem que não estou sozinho nessa história. Até a Microsoft sabe bem do problema, ou ela não faria tanta questão de fazer vender máquinas com o selo Microsoft Signature PCs. Isso significa que eles não vêm cheio de porcarias.

E parece claro que a Microsoft está trabalhando bastante para que você não precise de muitos aplicativos de terceiros no Windows 8. Ela está colocando vários add-ons clássicos como algo nativo do sistema. Por exemplo, o próximo sistema operacional virá com uma versão melhorada do Windows Defender. E você espera que isso seja o necessário para eliminar aquele monte de antivírus que costumam vir pré-instalados no Windows. E, apesar de o Defender vir como padrão, a Microsoft continuará promovendo outras empresas de segurança.

Uma das melhores coisas do Windows 8 é que ele é direto e tem poucos entraves. Mas eu suspeito muito que, por trás do pano, as fabricantes estão, neste exato momento, fazendo enormes acordos para encher suas máquinas com software desnecessário e baratear os custos. Isso vai acontecer.

A não ser que a Microsoft trabalhe de forma ativa para impedir que as fabricantes poluam seu sistema. A Microsoft já ousou bastante ao modificar a interface de usuário como nós conhecíamos no Windows. E ela parece não ter medo de forçar a barra. Se ela quiser mesmo que o Windows 8 seja uma experiência radicalmente melhor de uso, ela precisa usar seu poder no mercado para impedir que as fabricantes sujem o Windows.