Você não vai ao fast food esperando por uma refeição saudável, mas geralmente não espera que ali exista compostos potencialmente cancerígenos. Acontece que em um terço das vezes é isso o que acontece, e não está na comida, mas na embalagem. Cientistas ainda não têm certeza do quão preocupante é essa descoberta, mas parece que até mesmo as embalagens do fast food podem fazer mal a você.

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Uma equipe de cientistas americanos analisaram cerca de 400 amostras de embalagens de fast food e descobriram que um terço delas continham flúor, um indicativo de certos químicos prejudiciais tanto ao ambiente quanto aos humanos. Os resultados demonstraram que talvez nós consumimos esses químicos sem saber, já que eles podem migrar para a comida. A informação não é nova – estudos prévios já encontraram esses químicos nas embalagens, mas esse resultado são importantes para demonstração de uma nova maneira rápida de medir esses produtos, e para determinar o tamanho do problema.

Os cientistas buscaram especificamente por substâncias ácido perfluoro-octanossulfônico (PFASs), usadas para a fabricação de produtos comercializáveis resistentes à manchas e à prova d’água. Mas os PFASs também podem causar coisas terríveis como “câncer renal e testicular, recém-nascidos de baixo peso, doença da tireóide, perda da qualidade do esperma, hipertensão induzida pela gravidez e imunotoxicidade em crianças”, segundo o estudo publicado no periódico Environmental Science and Technology Letters. Empresas de fast food retiraram alguns dos PFASs, mas os que permanecem ainda podem passar para a comida pela embalagem.

Isso é importante, escrevem os autores do estudo, porque cerca de um terço das crianças (e muitos de nós) comem fast food diariamente.

Os cientistas coletaram 400 embalagens, a maior parte do Estado de Washington, leste de Massachusetts, oeste de Michigan, norte da Califórnia e da região metropolitana de Washington, D.C., das 27 maiores redes de fast food, como McDonald’s, Wendy’s e Panera. Eles jogaram partículas de luz – chamadas de fótons – em cada amostra, por cerca de três minutos e então observaram se acontecia uma assinatura característica de raios gama que o flúor emite.

Copos e embalagens que não tocaram na comida não continham nenhum flúor. Mas cerca de um terço, incluindo as amostras de papel que entraram em contato direto com a comida, continham níveis de flúor muito mais alto do que o indicado pelas diretrizes do Ministério do Ambiente e Comida da Dinamarca. Os pesquisadores mediram pelo menos 60 microgramas de flúor por grama em embalagens de papel, e 14 microgramas de flúor por grama nas embalagens de papelão.

Você não precisa se preocupar tanto com isso, especialmente a partir do momento que decide comer algo que sabe que aumenta as chances de obesidade e outras doenças. O estudo aponta, no entanto, que alguns dos produtos que contém flúor não tinham PFASs, o que significa que o flúor poderia vir de outros químicos. Além disso, “é muito difícil fazer a ligação entre o que estamos encontrando das embalagens e o que pode afetar a saúde de alguém”, disse Laurel Schaider, autora principal da pesquisa da Universidade de Harvard e do Silent Spring Institute, ao Chicago Tribune. “PFAS é uma categoria complexa”.

Ela não está brincando. Empresas de fast food costumavam incluir PFAS de cadeia longa – chamadas assim porque as moléculas consistem literalmente de uma longa cadeia de átomos de carbono com flúor no final – nas embalagens. A maioria das companhias mudaram voluntariamente para variedades de químicos com cadeias mais curtas devido às preocupações com a saúde, mas cientistas ainda não determinaram se PFAS de cadeias menores estão livres de risco também, de acordo com uma reportagem do The Verge. Na verdade, o novo estudo sugere que as moléculas de cadeia curta passam para a comida com mais facilidade.

Aqui está um outro motivo para evitar o fast food. Mas ainda assim, eu provavelmente vou continuar comendo.

[Environmental Science and Technology Letters]

Imagem do topo: AP