Em abril, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DoL, na sigla em inglês) acusou o Google de discriminação salarial entre homens e mulheres. A gigante da tecnologia negou as alegações e, quando o DoL pediu registros históricos salariais da empresa, argumentou que o esforço era caro demais. Para a sorte do Google, bons samaritanos na companhia lideraram esforços para compilar os dados salariais.

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New York Times obteve uma planilha criada por empregados do Google que revela que os homens, em média, recebem mais que as mulheres na empresa. Não é um registro abrangente de salários, mas inclui cerca de 2% da força de trabalho da companhia, apresentando informações de salários e bônus em 2017.

“Tem um meme por aí sobre empresas de tecnologia e o Vale do Silício, sobre problemas a ver com a igualdade de gênero na indústria tecnológica”, disse Eileen Naughton, vice-presidente de “operação de pessoas” do Google, em entrevista ao New York Times. “Eu acredito, sim, que o Google, por seu tamanho e talvez nosso tamanho ou a nossa proeminência na vida cotidiana das pessoas, acho que estamos sob os holofotes. Parece um pouco injusto.”

Gina Scigliano, porta-voz do Google, contou ao Gizmodo que seus próprios dados mostram que, quando você leva “localização, tempo de serviço, cargo, nível e desempenho” em consideração, as “mulheres recebem 99,7% do que os homens recebem no Google”. Scigliano chamou a matéria do New York Times de “extremamente falha”, argumentando que as diferenças de local e desempenho do empregado podem ter impacto considerável na remuneração.

Entretanto, é importante notar que os detalhes seguem vagos na análise reportada pelo próprio Google, que deveria ser vista com cautela, especialmente considerando que a empresa não obedeceu completamente à solicitação do Departamento do Trabalho.

O departamento processou o Google em janeiro por “dados de remuneração, documentos e informações solicitadas”, no que chamou de uma “auditoria rotineira de um contratante federal”. Então, em abril, a diretora do Departamento do Trabalho Janette Wipper disse no tribunal que a organização “encontrou disparidades de remuneração sistêmicas contra mulheres praticamente em toda a força de trabalho”, segundo noticiou o Guardian. Na época, o DoL solicitou dados adicionais de remuneração e informações de contato de empregados. Porém, um mês depois, o Google disse que as 500 horas e os US$ 100 mil que precisaria gastar para fornecer ao Departamento do Trabalho os registros salariais e as informações de contato eram trabalhosos.

O procurador da DoL Ian Eliasoph disse que o “Google conseguiria absorver o custo tão facilmente quanto uma esponja de cozinha seca consegue absorver uma gota de água”, noticiou o Guardian. Um argumento justo, considerando que a Alphabet, empresa-mãe do Google, alcançou avaliação de US$ 581 bilhões em maio. A empresa também gastou £ 1 bilhão (US$ 1,32 bilhão) em seu novo campus em Londres, equipado com uma piscina e salas de massagem. Negar-se a gastar US$ 100 mil em algo defensavelmente mais importante do que uma piscina levanta alguma suspeita.

Scigliano contou ao Gizmodo que a empresa já havia “fornecido quantidades enormes de dados ao DoL”.

No ano passado, em conexão apenas com a auditoria, oferecemos mais de 329 mil documentos e mais de 1,7 milhão de pontos de dados, incluindo informações de remuneração detalhadas, em resposta às 18 solicitações de dados diferentes do OFCCP (Gabinete de Programas de Cumprimento de Contratos Federais).

Além da falta de vontade do Google de cooperar com as últimas exigências do Departamento do Trabalho, vale apontar que essa não é a primeira planilha liderada por empregados tentando destacar as discriminações salariais na empresa. A ex-funcionária do Google Erica Baker ajudou a começar uma em 2015, e isso custou-lhe seus “bônus de colegas” (recompensas de US$ 150 dólares que empregados do Google podem oferecer a seus colegas de trabalho em compensação por ideias legais que não estejam relacionadas a seus empregos principais).

A desculpa impressionante do Google para o DoL e a motivação para que empregados criassem tais planilhas em primeiro lugar te fazem pensar: o Google tem algo a esconder?

Imagem do topo: Getty