Na semana passada, um programa de computador passou pelo Teste de Turing pela primeira vez, obtendo uma vitória controversa. O ator Robert Llewellyn foi um dos juízes do teste e contou ao Gizmodo como foi a estranha experiência de pensar que um programa de computador era um garoto de verdade.

Llewellyn é conhecido por ter interpretado o andróide Kryton na série britânica Red Dwarf, e escreve sobre ciência, ficção científica e tecnologia em seu site pessoal. Ele não tem formação em ciências da computação, o que faz com que sua visão do robô de chat fingindo ser um garoto ucraniano de 13 anos esteja mais próxima a de um leigo que da de um profissional dos computadores.

Falando com o Gizmodo por email enquanto está filmando em Barcelona, Llewellyn nos contou como ele se tornou um dos juízes do teste:

Eu conheço o Professor Kevin Warwick, da Universidade de Reading, que foi o organizador do teste. Eu fiz uma longa entrevista com ele quando eu estava escrevendo um livro de humor sobre tecnologia chamado Brother Nature. Ele conta história de uma mulher que trabalha com robótica avançada, usa seu irmão renegado como cobaia e tem resultados desastrosos.

Ele foi muito gentil e paciente comigo e eu fiquei fascinado com o trabalho dele. Ele foi o primeiro humano a ter inserido em seu braço um chip que estava diretamente conectado ao sistema nervoso. Isso era louco e perigoso, mas fascinante. Ele sobreviveu e me convidou para participar desse Teste de Turing. Também deve ter algo a ver com o fato de eu ter interpretado um andróide em Red Dwarf pelos últimos 25 anos.

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Você foi uma das pessoas que souberam que o robô de chat era um computador ou você achou que ele era humano?

Essa pergunta me deixa bem confuso. Ela implica que o texto que estava nas duas telas com as quais eu estava lidando eram escritos por humanos, e não foi isso que eu pensei quando o negócio todo estava acontecendo. Se, alternativamente, você está querendo saber se eu fui enganado pelas respostas e escolhi as do computador em seis vezes a cada dez, então, sim, eu sou o idiota.

O que fez você pensar que quem estava respondendo fosse um humano ou um robô?

Como eu disse, havia duas janelas de chat na tela, os juízes faziam perguntas e recebiam respostas de uma pessoa escondida em outra parte do edifício ou de um computador. Nosso trabalho era simplesmente fazer as perguntas e descobrir de quem eram as respostas. O primeiro teste foi fácil, as respostas do computador eram óbvias, bobas, longas e secas. Depois daquilo tudo se tornou mais e mais complicado, e as respostas humanas também se tornaram simples, pois alguns dos humanos que as estavam escrevendo eram muito jovens, estudantes de 17 e 18 anos, alguns adultos, e nem todos eles eram falantes nativos de inglês. O software do computador era extremamente sofisticado, entendia gírias e coloquialismos, cometia erros de digitação, conseguia fazer piadas e falar de maneira informal. Isso me enganou.

Por fim, você consegue nos dizer qual foi a sensação de participar?

Foi um trabalho duro, dez sessões de cinco minutos dentro do período de uma hora, muita digitação numa teclado com o qual eu não estava acostumado e várias vezes as duas respostas chegavam ao mesmo tempo. Eu fui só um dos cinco juízes: os outros eram acadêmicos e havia até um membro da Câmara dos Lordes. Basicamente, eu era o mais fraquinho ali, todos eles eram mais espertos do que eu, mas também foram enganados.