A promessa do ADE 651 é sedutora: um detector portátil que consegue encontrar bombas, armas, drogas e corpos humanos a até um quilômetro de distância. O exército iraquiano acredita passionalmente nele. Só tem um problema: parece que ele não funciona.

O ADE 651 viraria o jogo no Iraque, onde o tráfego praticamente livre de bombas e explosivos é uma ameaça constante, então o governo iraquiano está disposto a pagar muito por isso: eles já compraram 1.500 desses "detectores" ao preço de 16.500 a 60.000 dólares cada. Mas oficiais do governo americano dizem que os dispositivos não funcionam mesmo:

Dale Murray, chefe do Centro Nacional de Segurança e Ciências de Engenharia de Explosivos na Sandia Labs, que faz testes para o Departamento de Defesa [dos EUA], disse que o centro já "testou vários dispositivos dessa categoria, e nenhum teve desempenho melhor que chutes aleatórios".

A ATSC, empresa do Reino Unido que fabrica o ADE 651, diz que o dispositivo funciona à base de "atração eletrostática-magnética de íons" — pura pseudociência! (Será que o dispositivo captura fantasmas também?) A empresa não quis dar declaração à imprensa, mas está claro do que se trata: é uma empresa pilantra vendendo um dispositivo que só parece funcionar porque é o único aparelho disponível para detectar bombas — ou seja, ninguém vai perceber quando não funcionar, e sempre vai perceber quando "funcionar", mesmo que seja devido ao puro acaso.

ATSC, você fracassou em criar um detector universal de contrabando, mas pelo menos seu golpe foi muito bem bolado! [NYT]