O presidente norte-americano Donald Trump assinou uma diretiva que autoriza a NASA a mandar novos astronautas americanos à Lua — uma missão que estabeleceria as bases para uma possível missão para Marte. A ênfase renovada na exploração espacial, disse Trump, é para garantir a primazia dos Estados Unidos no espaço, proteger seus cidadãos e criar empregos. Porém, embora um programa espacial coerente e ambicioso seja uma boa notícia, o anúncio também pode ser visto como uma distração.

Com os astronautas Christine Coke, Peggy Whitson e Jack Schmidt presentes, Trump tornou a “Diretiva 1 de Política Espacial” oficial. A decisão de voltar à Lua e estabelecer o alicerce para uma missão em Marte foi baseada em recomendações feitas pelo Conselho Espacial Nacional, que revelou em outubro deste ano suas descobertas.

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“Isso marca um importante passo para levar de volta astronautas americanos para a Lua para uma exploração de longo prazo”, disse Trump, acrescentando que a missão fará mais do que simplesmente deixar “uma bandeira e umas pegadas na Lua”, indicando uma possível base e potenciais atividades de mineração.

“Estamos prestes a começar novas jornadas de exploração e descoberta… e, mais uma vez, imagine as possibilidades nos esperando nessas belas e grandes estrelas, atreva-se a sonhar”, disse Trump.

Além de “reivindicar nosso orgulhoso destino no espaço”, Trump disse que a nova diretiva vai estimular a inovação, incluindo o desenvolvimento de tecnologias que possam ser alavancadas para aplicações militares. A missão para a Lua é mais do que simplesmente restaurar o orgulho americano. É também sobre garantir que os EUA continuem sendo parte da corrida espacial do século XXI.

O vice-presidente Mike Pence, que chefia o Conselho Espacial Nacional, falou depois de Trump, dizendo que é uma “ocasião importante na história da exploração espacial americana”, uma que vai garantir que os americanos “liderem no espaço mais uma vez”. Pence afirmou que as recomendações feitas pelo relançado Conselho Espacial Nacional foram aprovadas de forma unânime. O plano, disse Pence, será “prover à defesa comum dos Estados Unidos” e “motivar a inovação… ver empregos criados que não poderíamos imaginar sendo criados hoje”.

Enquanto assinava a ordem, Trump destacou que isso levará a “empregos, empregos!”.

Durante a breve cerimônia de assinatura, tanto Trump quanto Pence deram poucos detalhes. Não está imediatamente claro o que isso significa para a NASA em termos de realocação de orçamento, ou quando a agência espacial poderá esperar ver tais financiamentos. Nenhum cronograma foi dado para o retorno à Lua ou para a missão pendente em Marte.

Para Trump, isso é uma vitória fácil. Seu governo tem, com justiça, enfrentado acusações de ser anticientífico. Mas a decisão de retornar à Lua não deve ser interpretada como uma mudança repentina de opinião. Conforme Trump e Pence admitiram, isso se trata de criar empregos, restaurar a presença dos EUA no espaço e desenvolver suas capacidades militares de espaço. Ao mesmo tempo, o anúncio distrai o público de problemas científicos mais importantes, como mudança climática, a troca para energia renovável e a poluição ambiental.

Por enquanto, o momento é de comemoração para os americanos pela decisão de enviar astronautas de volta à Lua — mas não às custas de ignorar os vários problemas que ainda existem nos Estados Unidos.

Imagem do topo: NASA